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Estado de Minas

Intensos bombardeios russos na província síria de Idlib


postado em 08/09/2018 17:54

A Rússia lançou, neste sábado (8), os bombardeios mais "intensos" sobre a província síria de Idlib, último bastião rebelde do país em guerra, desde que o governo de Damasco ameaçou lançar um assalto para recuperá-la - informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os bombardeios sobre a província ameaçada pelo presidente Bashar al-Assad de um ataque iminente mataram pelo menos quatro civis, dois deles crianças, informou esta ONG.

Na manhã deste sábado, o Exército russo, aliado de Assad, fez dezenas de bombardeios sobre várias localidades do sul e do sudeste de Idlib, acrescentou o OSDH.

A aviação síria lançou cerca de 50 barris de explosivos sobre a área, além de bombardear de forma intesiva com aertilharia, de acordo com a mesma fonte, que contabilizou as mortes de pelos menos nove civis, entre eles duas crianças.

O diretor da ONG, Rami Abdel Rahman, disse à AFP que tratam-se dos bombardeios "mais intesos" no norte sírio desde o ataque de 10 agosto a Orum al Kubra, que deixou 53 mortos, 41 deles civis.

Os taques aéreos e e os bombardeios de artilharia se concenbtraram em localidades como Jan Sheijun, Latamné e Al Tamania.

Um hospital subterrâneo localizado nas proximidades da cidade de Hass foi tomado como alvo, pois a construção e parte do material sofreram danos.

Perto da cidade de Al Muntar, o pânico tomou os habitantes. Mulheres com crianças e idosos se refugiaram em um campo agrícola próximo por medo de impacto.

"Desde esta manhã, o bombardeio não parou", disse à AFP Abu Hussein, um desabrigado da província de Hama, mais ao sul, que se refugiou perto de Al Abdin, na província de Idlib.

"Perto de nós caíram barris de explosivos lançados de helicópteros", disse ele.

Desde quinta-feira centenas de famílias fugiram de diferentes locais no setor sul de Idlib.

- Medo imenso -

O medo é "imenso" entre os habitantes e as equipes médicas, informou à AFP em Genebra o chefe dos serviços de saúde da província, Munzer al Jalil, garantindo que teme "a crise mais catastrófica da nossa guerra".

De Moscou, o porta-voz do Exército russo, Igor Konashenkov, afirmou contar com "provas irrefutáveis" de que os rebeldes sírios preparam uma "provocação" iminente em Idlib, sem especificar o que seria.

Segundo Moscou, lideranças do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) - organização extremista criada pelo ex-braço sírio da Al-Qaeda que controla 60% de Idlib -, do Partido islâmico de Turkestán e dos Capacetes Brancos sírios - socorristas das zonas rebeldes - se reuniram na sexta-feira em Idlib para "se colocar de acordo sobre uma montagem".

"Os que devem fazer parte da execução da provocação devem estar totalmente preparados até a noite de 8 de setembro [sábado]", indicou o porta-voz em comunicado.

Este recrudescimento da violência acontece no dia seguinte do fracasso de uma cúpula em Teerã entre os presidentes de Rússia, Turquia e Irã, na qual se decidia o destino deste último bastião antirregime que está quase totalmente fora do poder de Damasco.

"O governo sírio tem direito a tomar o controle de todo seu território nacional e deve fazê-lo", indicou na sexta-feira o presidente russo Vladimir Putin, enquanto seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, defendeu um acordo de cessar-fogo e alertou para o risco de um massacre.

Irã, Rússia e Turquia não conseguiram superar suas diferenças, embora tenham acordado em continuar "cooperando" na busca de uma solução para evitar as mortes de civis.

Teerã, Moscou e Ancara lideram o processo de Astana, uma série de discussões de paz lançadas após a intervenção militar russa de 2015. O processo de Astana ofuscou as negociações de Genebra sob a égide da ONU.

A declaração final da reunião de sexta-feira se limita a dizer que os três presidentes "decidiram resolver" a questão do Idlib "em um sentido de cooperação que caracteriza o [processo] de Astana".

"Discutimos medidas concretas para uma estabilização gradual na área desmilitarizada de Idlib, que prevê, em particular, a possibilidade de chegar a um acordo para aqueles que estão dispostos a dialogar", declarou Putin no fim da cúpula, referindo-se aos combatentes insurgentes que estariam dispostos a abandonar as armas.

Já o enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, pediu medidas concretas diante do Conselho de Segurança. "Fazem falta rotas de evacuação em todas as direções, leste, norte, sul", declarou.

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