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Estado de Minas

Bagdá promete resposta dura em Basra após incêndio de consulado do Irã


postado em 07/09/2018 21:30

A crise social no Iraque passou, nesta sexta-feira, a um novo nível com o incêndio do consulado iraniano em Basra, cidade petrolífera no sul do país onde nove manifestantes foram mortos nesta semana, forçando o Parlamento a convocar uma sessão extraordinária no sábado.

O ataque ao consulado iraniano representa um ponto de virada na revolta que Basra vive desde julho contra a corrupção de políticos e a deterioração dos serviços públicos, apesar da riqueza petrolífera da região.

Em resposta aos incidentes, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al Abadi, encarregou, na noite desta sexta, as forças de segurança de "agirem decisivamente contra o vandalismo que acompanha as manifestações".

Na sua declaração, o conjunto de comandos de operações (JOC) evoca "medidas excepcionais de segurança" e "(medidas) judiciais duras", proíbe manifestações e "deslocamentos em grupo". O texto não detalha, no entanto, as disposições tomadas nem a quantidade de reforços implantados.

Desde terça-feira manifestantes atacam as sedes das instituições públicas, casas de autoridades e partidos. Nesta sexta, entraram no prédio de uma jazida petrolífera no norte de Basra.

Os manifestantes reclamam sua parte da receita gerada pelo petróleo - 7,7 bilhões de dólares em agosto - em uma província que não sofreu a recente guerra contra o Estado Islâmico, mas que atravessa uma crise de saúde sem precedentes, agravada por um escândalo de contaminação da água que levou 30.000 pessoas ao hospital.

Na noite desta sexta, manifestantes conseguiram romper o isolamento de segurança e centenas deles conseguiram entrar na área do consulado, cercado por um grande muro. As chamas podiam ser vistas a centenas de metros de distância do prédio.

A chancelaria iraquiana denunciou um "ato inaceitável, que prejudica os interesses do Iraque e suas relações internacionais".

Em Teerã, um porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Bahram Ghassemi, denunciou um "ataque selvagem", segundo a agência iraniana Fars.

Ghassemi considerou o incêndio um complô para "destruir as relações de amizade" entre os dois países.

- Desgoverno -

Essa crise ocorre em um momento de paralisia política em Bagdá. Após longos meses de recontagem dos votos das eleições legislativas de maio, o Parlamento iraquiano não chegou a um acordo para eleger seu presidente em sua sessão de abertura na segunda-feira.

No entanto, a instituição anunciou nesta sexta uma reunião extraordinária sobre a crise em Basra, um dia após o apelo do líder xiita Moqtada Sadr, vencedor das eleições, para que o governo apresente "soluções radicais e imediatas".

Este anúncio foi feito poucas horas depois que três morteiros caíram na Zona Verde de Bagdá, onde a sede das autoridades iraquianas e a embaixada americana estão localizadas.

Moqtada Sadr, ex-chefe de milícia que se tornou defensor das manifestações anticorrupção, deu aos ministros e deputados um prazo para se reunirem até o domingo. Caso contrário, "que deixem seus postos", ameaçou.

Pouco tempo depois, o primeiro-ministro, Haider al-Abadi, que busca um segundo mandato em uma coalizão com Sadr, disse estar preparado para comparecer ao Parlamento.

Moqtada Sadr pediu a convocação de "manifestações pacíficas de indignação em Basra", protestos que podem ser estendidos a outras cidades, durante o tradicional dia de mobilização da sexta-feira.

Segundo Mehdi al-Tamimi, "as ruas de Basra se levantaram em resposta a uma política governamental de negligência intencional".

Cansados de esperar por serviços públicos eficientes e pela destituição de autoridades corruptas, os moradores de Basra retomaram os protestos iniciados no início de julho.

Contando com as nove vítimas registradas desde terça-feira, os protestos sociais que começaram em julho no país deixaram 24 mortos.

Em Basra, ativistas de direitos humanos acusaram as forças de segurança de abrir fogo contra os manifestantes, enquanto o governo culpou provocadores e disse que ordenou que as forças policiais não usassem balas reais.

Na quinta-feira, os manifestantes reunidos perto da sede do governo ocuparam outros lugares simbólicos, como sedes de partidos ou de grupos armados.

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