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Estado de Minas

Manifestantes incendeiam consulado do Irã na cidade iraquiana de Basra


postado em 07/09/2018 14:12

Centenas de manifestantes incendiaram nesta sexta-feira (7) o consulado iraniano na cidade iraquiana de Basra, em meio a manifestações violentas durante as quais vários edifício públicos foram atacados nos últimos dias.

Milhares de manifestantes se reuniram em torno da representação diplomática, que ardia em chamas, do grande vizinho iraniano, uma potência ativa no Iraque e, mais especificamente, na província de Basra, no sul do país, constatou um fotógrafo da AFP no terreno.

Diante dos episódios de violência, o Parlamento iraquiano anunciou que vai se reunir com vários ministros no sábado para abordar a crise social e de saúde em Basra, onde nove manifestantes foram mortos esta semana nos protestos.

Desde o início de julho, Basra tem sido palco de uma série de manifestações contra a corrupção dos políticos e a deterioração dos serviços públicos, apesar de ser a região mais rica em petróleo do país.

Esta agitação social foi alimentada por um escândalo de contaminação da água que levou 30.000 pessoas ao hospital.

Desde terça-feira, os protestos diários e incêndios em edifícios públicos deixaram nove mortes entre os manifestantes, de acordo com o chefe do conselho provincial para os direitos humanos, Mehdi al-Tamimi.

As autoridades decretaram um toque de recolher na quinta-feira à noite.

Essa crise ocorre em um momento de paralisia política em Bagdá. Após longos meses de recontagem dos votos das eleições legislativas de maio, o Parlamento iraquiano não chegou a um acordo para eleger seu presidente em sua sessão de abertura na segunda-feira.

No entanto, a instituição anunciou nesta sexta uma reunião extraordinária sobre a crise em Basra, um dia após o apelo do líder xiita Moqtada Sadr, vencedor das eleições, para que o governo apresente "soluções radicais e imediatas".

Este anúncio foi feito poucas horas depois que três morteiros caíram na Zona Verde de Bagdá, onde a sede das autoridades iraquianas e a embaixada americana estão localizadas.

- Negligência -

Moqtada Sadr, ex-chefe de milícia que se tornou defensor das manifestações anticorrupção, deu aos ministros e deputados um prazo para se reunirem até o domingo. Caso contrário, "que deixem seus postos", ameaçou.

Pouco tempo depois, o primeiro-ministro Haider al-Abadi, que busca um segundo mandato em uma coalizão com Sadr, disse estar preparado para comparecer ao Parlamento.

Moqtada Sadr pediu a convocação de "manifestações pacíficas de indignação em Basra", protestos que podem ser estendidos a outras cidades, durante o tradicional dia de mobilização da sexta-feira.

Segundo Mehdi al-Tamimi, "as ruas de Basra se levantaram em resposta a uma política governamental de negligência intencional".

Cansados de esperar por serviços públicos eficientes e pela destituição de autoridades corruptas, os moradores de Basra retomaram os protestos iniciados no início de julho.

Contando com as nove vítimas registradas desde terça-feira, os protestos sociais que começaram em julho no país deixaram 24 mortos.

Em Basra, ativistas de direitos humanos acusaram as forças de segurança de abrir fogo contra os manifestantes, enquanto o governo culpou provocadores e disse que ordenou que as forças policiais não usassem balas reais.

Na quinta-feira, os manifestantes reunidos perto da sede do governo ocuparam outros lugares simbólicos, como sedes de partidos, ou de grupos armados.

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