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Estado de Minas

Recontagem de votos confirma vitória de clérigo em legislativas no Iraque


postado em 09/08/2018 20:18

A aliança do clérigo nacionalista Moqtada Sadr e dos comunistas confirmou o primeiro lugar, com 54 cadeiras, nas eleições legislativas de 12 de maio no Iraque, após a recontagem manual dos votos, anunciou nesta sexta-feira a comissão eleitoral.

A única mudança nos resultados da recontagem manual - decidida em junho pela Suprema Corte devido a suspeitas de fraude - se deu na Aliança da Conquista, um grupo de ex-combatentes antijihadistas próximos ao Irã, que obteve um assento em detrimento de uma lista local de Bagdá.

No entanto, se mantém na segunda posição, com 48 cadeiras do total de 329 do Parlamento iraquiano, informou a comissão, composta por nove juízes.

A lista do premiê em final de mandato, Haider Al Abadi, permanece na terceira posição, com 42 cadeiras, seguida pelo partido do laico Iyad Alawi, que conta com várias personalidades sunitas (21 assentos) e a lista do presidente xiita, Amar al Hakim (19).

Devido ao sistema eleitoral proporcional, nenhuma lista pode obter por si própria a maioria absoluta, razão pela qual devem ser buscadas alianças.

A Suprema Corte ainda deve divulgar os resultados definitivos, e depois o presidente da República em fim de mandato tem 15 dias para convocar o novo Parlamento, que deve eleger um novo chefe de Estado e iniciar o processo para formar um novo governo de coalizão.

Os partidos da comunidade xiita se apresentaram dispersos às legislativas de 12 de maio pela primeira vez desde o estabelecimento do multipartidarismo no Iraque, em 2005 - após a queda de Saddam Hussein e a conquista do poder pelos xiitas, majoritários no país.

Moqtada Sadr, que tinha multiplicado os sinais de independência com relação ao Irã, chegando inclusive a fazer uma visita à Arábia Saudita, grande adversária do regime iraniano, foi o vencedor das legislativas, liderando uma inédita aliança com os comunistas.

Desde então, o Irã, país de confissão xiita, tenta manobrar. O influente general Ghasem Soleimani, emissário iraniano regularmente implicado em assuntos iraquianos, tentou constituir uma coalizão sem Sadr.

Mas ao ver que era difícil descartá-lo, Teerã tenta agora incluí-lo em uma ampla aliança xiita para neutralizá-lo.

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