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Estado de Minas

Manifestantes atacam escola religiosa no Irã


postado em 04/08/2018 16:18

Um grupo de manifestantes atacou uma escola religiosa na província de Karaj, perto de Teerã, após vários dias de protestos contra as dificuldades econômicas em um ambiente de crescente tensão antes da reinstauração das sanções americanas.

O Irã estava apenas começar a sair de vários anos de isolamento após o acordo nuclear assinado em 2015 com as principais potências quando o governo dos Estados Unidos de Donald Trump, hostil a Teerã, decidiu retirar-se unilateralmente de um pacto que considera insuficiente e reaplicar as sanções contra este país a partir de terça-feira.

Os iranianos, sufocados por uma crise econômica endêmica que alimenta a raiva contra o sistema político, temem um agravamento da situação, já marcado pelo colapso da moeda iraniana, o rial, que perdeu cerca de dois terços de seu valor em seis meses.

Na noite de sexta-feira, quase 500 manifestantes que gritavam frases contra o regime atacaram a escola e "tentaram derrubar as portas e queimar objetos", afirmou Hojatoleslam Hindiani, diretor da escola na cidade de Ishtehad, citado pela agência de notícias iraniana Fars.

Os manifestantes "chegaram com pedras e quebraram todas as janelas da sala de oração, gritando frases contra o regime", afirmou diretor.

Alguns manifestantes foram dispersados pela polícia antidistúrbios e outros detidos.

Nos últimos dias aconteceram manifestações de centenas de pessoas em várias cidades do Irã, entre elas Chiraz (sul), Ahvaz (sudoeste), Machhad (nordeste) e Karaj (perto de Teerã), informou na quinta-feira a imprensa estatal.

As autoridades não deram detalhes sobre os protestos, mas veículos conservadores enfatizaram os ataques contra estabelecimentos simbólicos, como prédios religiosos.

Vários vídeos publicados nas redes sociais, mas sem a origem determinada, mostram protestos em cidades turísticas como Isfahan (centro) e na capital Teerã.

- Desemprego e alta de preços -

Os iranianos estão preocupados com as novas sanções dos Estados Unidos, que poderiam desestabilizar ainda mais a economia.

Em maio, o governo dos Estados Unidos se retirou do acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, alegando que desejava exercer "máxima pressão" sobre o Irã. Washington anunciou ainda novas sanções, que entrarão em vigor em 7 de agosto e em novembro.

As imagens divulgadas até agora mostram manifestações que não pareciam ter a magnitude dos protestos registrados em dezembro e janeiro, quando pelo menos 25 pessoas foram detidas por protestos em várias cidades iranianas.

Contudo, o governo do presidente Hassan Rohani enfrenta a oposição dos conservadores e líderes religiosos que criticam sua atuação a respeito do Ocidente e buscam tirar proveito da indignação contra a corrupção para derrubá-lo.

Em meio à tensão no país com a iminente retomada das sanções por parte de Washington, a companhia aérea Iran Air anunciou que receberá no domingo cinco novas aeronaves da empresa franco-iraniana ATR.

O anúncio é parte de um acordo assinado em abril de 2017 para a compra de 20 aviões novos, oito deles já entregues.

O acordo foi colocado em dúvida após a saída dos Estados Unidos do histórico acordo internacional de 2015 sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo as autoridades do país, o isolamento econômico imposto por Washington impede a renovação da frota de aviões e representa um perigo para os passageiros.

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