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Estado de Minas INTERNACIONAL

No enterro de brasileira morta na Nicarágua, mãe diz que fará biografia da filha

Os pais de Raynéia, Maria José da Costa e Ridevaldo Pereira de Lima, foram amparados por amigos e parentes durante todo o velório


postado em 03/08/2018 14:31 / atualizado em 03/08/2018 14:45

Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, assassinada a tiros na Nicarágua, em 23 de julho, quando estava a caminho de casa após cumprir plantão no hospital em que trabalhava(foto: Arquivo pessoal/Agência Brasil )
Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, assassinada a tiros na Nicarágua, em 23 de julho, quando estava a caminho de casa após cumprir plantão no hospital em que trabalhava (foto: Arquivo pessoal/Agência Brasil )

Em clima de emoção e revolta foi enterrada nesta sexta-feira, 3, no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, Região Metropolitana do Recife, a estudante de medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, assassinada a tiros na Nicarágua, em 23 de julho, quando estava a caminho de casa após cumprir plantão no hospital em que trabalhava.

Os pais de Raynéia, Maria José da Costa e Ridevaldo Pereira de Lima, foram amparados por amigos e parentes durante todo o velório. A cerimônia de sepultamento foi realizada pouco antes do meio-dia.

Abraçada ao diploma de médica e cirurgiã da filha, enviado pela Universidad Americana (UAM), Maria José anunciou que vai escrever uma biografia de Raynéia, como forma de homenagear a jovem.

"Minha filha saiu de Pernambuco, do Brasil, porque infelizmente não é fácil para alguém que vem de família pobre conseguir estudar medicina aqui. Esse era o grande sonho dela e ela foi atrás dele. Foram quase seis anos de muita luta e privações. Ela estudava com afinco, trabalhava duro e muitas vezes esquecia até de comer tamanha era a dedicação. Ela queria ser médica para ajudar as pessoas. Ela sentia muita falta da família, dos amigos, da terra dela. Todos os dias ela dizia como estava ansiosa para voltar para nossa casa. Quero que as pessoas conheçam essa guerreira", afirmou.

Para custear o projeto, a dona de casa pretende iniciar uma campanha na internet para conseguir os recursos necessários, cerca de R$ 4 mil, para a impressão de 100 unidades. Antes mesmo das 7 horas, horário previsto para o início do velório, dezenas de pessoas chegaram ao cemitério carregando fotos, cartazes e muitas flores. Algumas vestiam blusas com fotos de Raynéia.

Amiga da universitária há mais de 15 anos, a professora Luciana Farias, de 34 anos, lembrou do amor da estudante pela vida. "Ela sonhava com o retorno para casa e fazia muitos planos. Era lindo ver a dedicação dela e o amor em poder ajudar as pessoas. Ela sempre foi assim. Adorava viver. Não há como esquecer aquele sorriso. Ela vivia cantarolando, pulando e dançando", lembrou.

A funcionária do Escritório de Representação do Itamaraty no Nordeste, Carla Chelotti, que acompanhou o velório e o sepultamento ao lado do secretário de Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico, explicou que a embaixada está atenta ao caso.

"A embaixada em Manágua está pedindo esclarecimentos e acompanhando a investigação bem de perto", destacou. Durante uma conversa, por telefone, com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), a mãe de Raynéia pediu o apoio do Estado para acompanhar as investigações. "Eu pedi que ele não deixasse isso passar. Além de ser minha filha amada, ela era uma cidadã de Pernambuco."

Memória

Raynéia foi morta com um tiro no peito quando voltava do hospital universitário onde estudava e trabalhava. De acordo com o reitor da UAM, Ernesto Medina, a brasileira foi assassinada a tiros por "um grupo de paramilitares" no sul da capital.

O crime ocorreu em meio à maior onda de violência no país desde o fim da guerra civil, em 1990. Segundo a Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos, 448 pessoas morreram em 100 dias de protestos contra o governo do presidente Daniel Ortega.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que tem equipes no país investigando as denúncias, acusou a polícia e grupos paramilitares de usarem força letal para reprimir os manifestantes - muitos deles estudantes que ocuparam universidades e ergueram barricadas.

"Atiram para matar", disse o secretário-executivo da CIDH, entidade ligada a Organização dos Estados Americanos (OEA).

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