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Estado de Minas

Rússia mantém campanha para influenciar eleições nos EUA, diz Inteligência


postado em 02/08/2018 21:54

A Inteligência americana acusou a Rússia de continuar realizando campanhas para influenciar a opinião pública e as eleições nos Estados Unidos, uma denúncia feita meses antes da realização das legislativas do país, previstas para novembro.

Um grupo de altos funcionários americanos, incluindo o diretor da Inteligência Nacional, Dan Coats; o diretor do FBI, Christopher Wray; e a secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, prometeu investigar e processar quem tentar influenciar a opinião pública americana e lançar o que Wray descreveu de uma "guerra de informação".

"Continuamos vendo uma campanha de mensagens persuasivas da Rússia para tentar enfraquecer e dividir os Estados Unidos", afirmou Coats.

"Nossa própria democracia está na mira", advertiu Nielsen em um alerta de rara contundência.

"Não se trata apenas de uma ameaça do período eleitoral", afirmou Wray. "Nossos adversários estão tentando minar nosso país em uma base persistente e regular, seja no período eleitoral ou não".

"É uma ameaça que devemos levar muito a sério", reforçou Wray, igualmente presente em uma coletiva de imprensa dedicada ao tema na Casa Branca.

Por enquanto, os esforços da Rússia para tentar "minar nossos valores fundamentais" não foram tão significativos quanto os mobilizados para influenciar a eleição presidencial de 2016, apontou Coats.

"Não vimos esse tipo de esforço, de tamanha magnitude, até o momento presente", ressaltou.

O diretor do FBI indicou que, por ora, não foi constatado ataque direto contra as infraestruturas eleitorais. "O que temos visto são tentativas de influência mal intencionada", ressaltou Wray.

Os comentários dos altos funcionários de Inteligência vão de encontro à posição do presidente Donald Trump, mas os dois homens negaram sugestões de que o presidente não tem levado o assunto muito a sério.

Trump nega reiteradamente que a Rússia tenha agido para fazer os resultados das eleições se inclinarem a seu favor.

O presidente também tem considerado aliviar as sanções a Moscou, mantido encontros calorosos com o presidente Vladimir Putin e se recusado a criticá-lo sobre a interferência nas eleições de 2016.

Em carta endereçada ao Congresso, o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, disse que o governo tem adotado "ações extensivas e históricas" para deter a ameaça russa.

Ele também tem pedido reiteradamente o encerramento da investigação sobre a suposta influência russa, que resultou até o momento no indiciamento de mais de 20 cidadãos russos.

Nesta quinta-feira, a imprensa americana revelou que uma suposta espiã russa trabalhou na embaixada dos Estados Unidos em Moscou durante uma década, antes de ser demitida discretamente no ano passado.

A mulher, de nacionalidade russa, foi contratada pelo Serviço Secreto e estava sob suspeita após uma checagem de rotina por parte do departamento de Estado, segundo o jornal britânico The Guardian e a rede de televisão americana CNN.

A investigação descobriu que a mulher mantinha reuniões periódicas não autorizadas com membros da principal agência de inteligência russa, FSB.

As interferências da Rússia na eleição presidencial de 2016 levaram o Ministério da Justiça a nomear um procurador especial Robert Mueller, encarregado de investigar esses atos, incluindo um possível conluio entre a equipe de campanha de Donald Trump e as autoridades russas.

Perguntado se o povo americano poderia confiar em que o governo está fazendo o seu trabalho, Wray respondeu: "Posso assegurar ao povo americano que os homens e mulheres do FBI, do diretor para baixo, vão cumprir seu juramento e fazer seu trabalho".

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