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Estado de Minas

Trump pede ao procurador-geral fim da investigação sobre ingerência russa


postado em 01/08/2018 23:36

O presidente americano, Donald Trump, pediu nesta quarta-feira (1º) ao procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, que ponha fim à investigação em andamento sobre a suspeita de ingerência da Rússia na eleição presidencial de 2016.

"É uma situação terrível e o procurador-geral Jeff Sessions deveria interromper essa caça às bruxas agora mesmo, antes que manche ainda mais nosso país", tuitou Trump, referindo-se à investigação conduzida pelo procurador especial Robert Mueller.

Preocupada com o impacto da declaração, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, apressou-se em dizer que o presidente não emitiu uma "ordem" sobre o fim da investigação, mas apenas expressou sua "opinião".

Na visão de Sanders, a mensagem postada por Trump no Twitter não deve ser vista como uma tentativa de interferir em um processo judicial.

"O presidente não está obstruindo (a justiça). Está reagindo. O presidente expressou sua opinião, expressou isso claramente e expressa sua frustração com a corrupção que impera", insistiu a porta-voz.

Os advogados de Trump também minimizaram suas declarações: "o presidente utiliza tuítes para expressar suas opiniões (...) e se preocupou em usar a palavra 'deveria'", comentou Rudy Giuliani.

Momentos antes da coletiva de imprensa na Casa Branca, outro advogado de Trump, Jay Sekulow, disse ao Washington Post que "o presidente não emitiu uma ordem ou diretiva ao Departamento de Justiça sobre isso".

Até à data, este tuíte do presidente foi o ataque mais brutal contra a investigação que busca determinar o alcance da ingerência russa na eleição de 2016 e - o aspecto mais difícil para a Casa Branca - se houve algum tipo de conluio entre funcionários russos e o comitê de campanha de Trump.

Em uma sequência de mensagens, Trump atacou Sessions, Mueller, os agentes que participam da investigação, assim como o processo judicial contra o advogado Paul Manafort.

Em 2016, ele dirigiu a campanha eleitoral republicana por um breve período e agora é acusado de fraude fiscal e bancária.

"O conluio da Rússia com a campanha de Trump, uma das mais bem-sucedidas da história, é uma FARSA TOTAL", tuitou o presidente.

- Sessions sob pressão -

Trump alegou que um informe que, supostamente, estabelece a relação entre Trump e a Rússia foi pago pelo Partido Democrata "e foi usado para começar essa Caça às Bruxas. É uma vergonha!".

O próprio Sessions se isentou de conduzir essa investigação, porque também teve contatos não autorizados com funcionários russos depois das eleições e antes de integrar o governo.

Essa recusa de Sessions irritou Trump e também motivou a nomeação de Mueller como procurador especial responsável pelo caso.

Em suas mensagens nesta quarta, Trump lembrou o caso de um agente do FBI (a Polícia Federal americana) e membro da equipe investigadora de Mueller que havia enviado uma mensagem para sua namorada, afirmando que impediriam a vitória do magnata nova-iorquino.

Para a Casa Branca, o caso desse agente confirma que a investigação de Mueller não passa de uma "caça às bruxas".

Na segunda-feira, pelo Twitter, o presidente sugeriu que Mueller devia se retirar da investigação por causa do "conflito de interesses".

- Agentes furiosos -

Trump alega ainda que a equipe de investigação está repleta de agentes do FBI "furiosos" com a derrota da então candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton.

Hoje, o presidente reafirmou que Mueller tem "um enorme conflito e os 17 furiosos democratas que estão fazendo seu trabalho sujo são uma vergonha para os Estados Unidos".

A suspeita de ingerência russa na eleição resvalou na agenda da cúpula Trump-Putin há três semanas.

Putin - disse Trump - garantiu "que não é a Rússia. Direi o seguinte: Não vejo razão alguma para que tenha sido".

Mais tarde, Trump recuou e afirmou que o que ele quis, de fato, dizer é que não havia razão para que NÃO fosse a Rússia a responsável pela ingerência.

As declarações de Trump surgem um dia depois de o advogado Paul Manafort, um dos chefes de campanha do republicano em 2016, ter sido acusado formalmente nos tribunais por fraude bancária e fiscal.

Manafort é acusado de omitir uma renda milionária, fruto de seu trabalho como representante em Washington dos interesses do governo pró-russo da Ucrânia.

De acordo com Trump, Manafort já havia atuado com poderosos dirigentes do Partido Republicano, como o ex-presidente Ronald Reagan e o ex-pré-candidato Bob Dole.

"Trabalhou para mim por pouco tempo. Por que ninguém do governo me disse que estava sob investigação? Essas acusações não têm nada a ver com conluio. Isso tudo é uma FARSA TOTAL", garantiu o presidente.

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