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Estado de Minas

Bolsonaro quer ser presidente para "resgatar" o Brasil


postado em 22/07/2018 15:42

O deputado de extrema direita Jair Messias Bolsonaro lançou neste domingo sua candidatura à presidência do Brasil, com pesquisas que apontam sua presença no segundo turno. Cercado por uma multidão de apoiadores no Rio de Janeiro, ele prometeu "resgatar" o Brasil,

Sua figura assusta muitos brasileiros, mas este nostálgico da ditadura militar (1964-1985) ficou durante a convenção de seu Partido Social Liberal (PSL) diante de mais de 3.000 seguidores que lhe receberam aos gritos de "mito, mito!".

"Minha candidatura é uma missão. Se estou aqui é porque acredito em vocês e se vocês estão aqui é porque acreditam no Brasil", proclamou Bolsonaro no início de seu discurso em uma convenção, que ressaltou os escândalos de corrupção que levaram políticos de direita e de esquerda ao banco dos réus.

"Precisamos eleger um homem ou uma mulher honesto, que tenha Deus no coração e seja patriota", disse.

O candidato, de 63 anos, esteve sentado ao lado da advogada Janaína Paschoal, uma das impulsionadoras do impeachment de Dilma Rousseff em 2016, e que pode ser a vice de sua chapa.

- 'Ficha limpa' -

"Do jeito que está o nosso país, o Bolsonaro pode fazer a diferença. É a nossa esperança porque não está envolvido em corrupção, é uma pessoa íntegra, sincera", dizia à AFP Gilmar Jasset, um motorista de ônibus de 35 anos, que chegou à convenção vestido como seu candidato, com a faixa presidencial.

O público que compareceu neste domingo para ver Bolsonaro na convenção era heterodoxo: desde conservadores evangélicos, pessoas de classe média, policiais e militares, até moradores de comunidades cansados da violência.

Todos veem este capitão da reserva como um salvador, um homem "ficha limpa" capaz de resgatar um país afundado na crise política, econômica e social, e abalado por escândalos de corrupção.

Cristiano Pereira, 32 anos e morador da Baixada Fluminense, acredita que o Brasil precisa de um homem com o "punho firme", que permita - como Bolsonaro promete - o porte de armas, pois "se alguém vier me roubar, vai pensar duas vezes porque você pode estar armado".

"Precisamos fazer uma mudança no nosso país e a única pessoa competente é ele. Ele é de direita, uma pessoa que defende a família, a democracia, a igualdade e ele é ficha limpa", diz Sueli Bonavita, dentista de 64 anos.

- As pesquisas -

O certo é que Bolsonaro tem mais votos hoje do que qualquer outro candidato, exceto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso por corrupção há quatro meses e cuja candidatura deve ser impugnada.

Mas isso não é suficiente para vencer as eleições mais imprevisíveis da história moderna do país.

Coronel da reserva, conhecido por suas declarações racistas, misóginas e homofóbicas, atingiu o teto, mesmo conseguindo vencer as reservas de vários setores sociais, incluindo os empresários.

Em seu discurso de domingo, disse ser a favor da privatização de empresas, inclusive de alguns setores da Petrobras, embora tenha admitido não ser um especialista em economia. Para o tratar o tema, disse confiar em seu seu assessor, o economista ultraliberal Paulo Guedes.

Se Lula não consegue superar os 30% das intenções de voto, Bolsonaro nunca conseguiu chegar a 20%, inclusive nos cenários sem o líder de esquerda, como mostram as pesquisas do Datafolha.

Sem um vice-presidente de outro partido, Bolsonaro, com o PSL, teria somente 8 segundos em cada bloco de propaganda gratuita de rádio e televisão na campanha.

Isso poderia prejudicar a visibilidade do candidato, embora esse inimigo da imprensa tradicional e de suas supostas "fake news" garanta que não está preocupado, porque milhões de brasileiros acompanham sua frenética atividade nas redes sociais.

À espera de que se verifique a veracidade das pesquisas na prática, o "fenômeno" Bolsonaro mantém o Brasil em suspense, após a experiência de Donald Trump nos Estados Unidos.

De fato, o presidente americano "estava" hoje no evento, já que um apoiador usando terno colocou uma máscara com seu rosto e passeou entre o público, que o aplaudiu.

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