
"Muita força", diz Mario Sepúlveda - um dos 33 mineiros chilenos que ficaram 69 dias sob a terra - aos doze meninos e seu técnico de futebol presos em uma caverna da Tailândia.
Sepúlveda revelou que está disposto a viajar à Tailândia para contribuir com sua experiência aos esforços de resgate, em entrevista à AFP no México.
O mineiro, que junto com seus companheiros viveu um drama observado por todo o planeta em 2010, que culminou com um resgate espetacular ao final de 69 dias, desejou "muita força a todas as autoridades e às famílias destes meninos sob a terra".
"Não tenho dúvidas de que se o governo deste país fizer tudo o que pode (...) este resgate terá sucesso".
Os 12 meninos e seu treinador, há doze dias em uma caverna inundada na Tailândia, estão medicados e alimentados, mas têm poucas chances de serem resgatados a curto prazo, devido à dificuldade de retirá-los sob a água.
Sepúlveda está decidido a buscar "algum dinheiro" para ir à Tailândia e ajudar no que for possível.
"Vou fazer o que der. Estou tentando com o governo (chileno) para reunir algum dinheiro. Acredito que como país é importante estar lá depois do que passamos" no Chile, disse por telefone à AFP.
Se não obtiver respaldo do governo chileno, Sepúlveda está decidido a buscar apoio privado. "Me encantaria ir (à Tailândia) porque acredito que seria de suma importância apoiar as famílias com palavras, um abraço. Uma palavra de alento é importante".
Sepúlveda ficou conhecido como "Super Mario" durante o drama dos mineiros chilenos por incentivar seus companheiros nos 69 dias de calvário sob a terra.

Corrida contra o tempo
As equipes de emergência examinavam nesta quinta-feira as opções para resgatar os 12 meninos e seu treinador de futebol que estão presos há 12 dias em uma caverna inundada na Tailândia, diante do risco de aumento do nível da água, com a previsão do retorno da chuva.
"Nossa maior preocupação é a meteorologia. Estamos em uma corrida contra o tempo, agora estamos em uma corrida contra a água", declarou Narongsak Osotthakorn, governador da província de Chiang Rai e que também comanda a célula de crise.
Os socorristas tentam reduzir o nível da água de forma suficiente para que as crianças não precisem mergulhar ou que tenham que mergulhar por pouco tempo.
"Esta manhã preparamos os 13 equipamentos de mergulho para poder fazer o resgate de maneira urgente", disse Osotthakorn.
Mas o governador recordou que um mergulhador experiente precisa de 11 horas para ir e voltar do local onde estão as crianças: seis horas na ida e cinco horas na volta, aproveitando a corrente.
A volta da chuva, prevista para sexta-feira, na temporada de monções, poderia precipitar a operação de resgate, pois existe o risco de que as tempestades inundem a caverna.
"Escutei que vai chover de novo. Estou muito preocupada"< afirmou à AFP Sunida Wongsukchan, parente de um dos meninos presos na caverna.
Na área reservada às famílias, a inquietação é cada vez maior.
As chuvas torrenciais bloquearam os jovens na caverna no dia 23 de junho, depois que o grupo decidiu, por um motivo que ainda não está claro, entrar no local após o treinamento de futebol com seu técnico, que tem 25 anos.
Os parentes dos meninos citaram uma possível festa de aniversário para um dos jovens, que completou 16 anos no dia 23.

Tempo calculado
"Calculamos o tempo que nos resta, em horas e em dia, no caso de chuva e de que água invada a caverna", explicou Osotthakorn.
O trajeto de retorno tem vários quilômetros e inclui áreas estreitas.
Alguns trechos terão que ser percorridos debaixo d'água e por este motivo os socorristas estão treinando os jovens para que aprendam a mergulhar.
Na quinta-feira as autoridades não divulgaram vídeos dos meninos. As imagens do momento em que os mergulhadores britânicos encontraram os jovens, com idades entre 11 e 16 anos, na segunda-feira deram a volta ao mundo: eles aparecem magros, reunidos sobre uma rocha.
Desde então a situação do grupo melhorou, pois as equipes de emergência estabeleceram um rodízio para ficar ao lado do grupo, que recebe alimentação e aulas sobre como utilizar o equipamento de mergulho.
Até o momento fracassaram as tentativas para instalar uma linha telefônica que permitira o contato dos meninos com os pais.
Uma nova tentativa de instalação será feita nesta quinta-feira.
"Nossa principal missão é bombear a água", afirmou o governador, antes de indicar que continua sendo examinada a possibilidade de cavar um túnel vertical.
"Estudamos cada metro quadrado para ver se um dos poços leva à caverna", disse.
