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Estado de Minas

Guatemala retoma difícil busca por vítimas após erupção de vulcão


postado em 05/06/2018 18:00

Envoltas em uma grossa nuvem de cinzas, as equipes de resgate buscavam desaparecidos nesta terça-feira (5) depois da potente erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala, que deixou até o momento 72 mortos e milhares de pessoas evacuadas.

Entretanto, as autoridades admitiram que será quase impossível encontrar sobreviventes devido à natureza da erupção, que arrasou vários povoados próximos com uma avalanche de lava.

"Vamos continuar até encontrarmos a última vítima, embora não saibamos quantas vítimas há. Mas vamos fazer buscas na área quantas vezes for preciso", disse à AFP o diretor da Coordenadoria para a Redução de Desastres (Conred), Sergio Cabañas.

Um menino de oito anos que ficou com sérias queimaduras em quase todo o corpo morreu no Hospital Geral San Juan de Dios, na capital, informaram autoridade. Outros quatro menores de idade queimados serão transferidos a um hospital especializado nos Estados Unidos.

O Vulcão de Fogo, de 3.763 metros de altitude e situado 35 quilômetros ao sudoeste da capital, registrou no domingo uma potente erupção que até o momento deixou 72 mortos, segundo o Instituto Nacional de Ciência Forense (Inacif).

Nesta terça, uma pequena coluna de cinzas coroava o vulcão diante do olhar atento dos socorristas, que cobriam nariz e boca para se proteger da poeira. Nas localidades afetadas pela lava vulcânica, as ruas estão cobertas de cinzas.

O Inacif indicou que, até o momento, apenas 17 pessoas falecidas puderam ser identificadas por meio "das impressões digitais e por características físicas".

Além disso, a tragédia deixa 46 feridos, 3.271 evacuados e 1.877 abrigados nos departamentos de Escuintla (sul) e Sacatepéquez (oeste). Junto com o de Chimaltenango (oeste), estes são os mais afetados pela erupção vulcânica, segundo números da Conred.

- Difícil encontrar sobreviventes -

Cabañas reiterou que as autoridades não conseguiram estabelecer um número de desaparecidos e que, oficialmente, têm conhecimento de apenas dois socorristas. Mas as esperanças de encontrar sobreviventes se desvanecem.

"Se estiverem presos no fluxo piroclástico, é difícil encontrá-los com vida. Haverá, inclusive, pessoas que podem ter sido carbonizadas e que não será possível encontrá-las", disse o diretor da Conred.

"Continuaremos enquanto for necessário e sempre observando as medidas de segurança", acrescentou, referindo-se sobre possíveis desprendimentos nas encostas do vulcão, onde se acumulou uma enorme quantidade de sedimento.

Na segunda-feira à noite, o presidente Jimmy Morales reforçou que as tarefas de busca e resgate continuarão o tempo que for necessário.

A Presidência anunciou que, nesta terça, o governo começará a definir o plano de ação para iniciar o mais rápido possível a tarefa de reconstrução das áreas devastadas

- 'Repouso ativo' -

O diretor do estatal Instituto de Vulcanologia, Eddy Sánchez, disse à AFP que, após a forte erupção de domingo, o vulcão liberou "muita energia" e entrou em uma fase de "repouso ativo". Isso significa que, embora possa gerar explosões fortes, não chegariam "a ser catastróficas" nos próximos meses.

O Congresso guatemalteco aprovou um decreto presidencial para declarar estado de calamidade pública nos departamentos de Escuintla, Sacatepéquez e Chimaltenango, os mais atingidos e onde fica o vulcão.

O papa Francisco ofereceu nesta terça-feira "orações por todos os que sofrem as consequências desse desastre natural".

O vulcão de Fogo havia gerado sua primeira erupção de 2018 em janeiro passado.

Além disso, provocou em setembro de 2012 a última emergência por erupção no país, causando a evacuação de cerca de 10.000 habitantes assentados em povoados ao sul do vulcão.

Na Guatemala, também estão ativos os vulcões Santiaguito (oeste) e Pacaya.

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