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Estado de Minas

Festival de Cannes poderá projetar 'Dom Quixote' de Terry Gilliam


postado em 09/05/2018 16:54

O cineasta britânico Terry Gilliam recebeu finalmente, nesta quarta-feira (9), uma boa notícia: a justiça francesa autorizou a exibição de seu filme "amaldiçoado" sobre Dom Quixote no Festival de Cannes.

O produtor português Paulo Branco havia denunciado ante a justiça a exibição de "The Man Who Killed Don Quixote" no festival, dado que o filme é alvo de um litígio judicial por uma questão de direitos.

Mas o tribunal autorizou sua estreia no encerramento do festival, em 19 de maio.

"O pedido de proibição de Paulo Branco foi rejeitado pela justiça", anunciou o festival no Twitter. "E Terry Gilliam estará aqui. Façamos desta vitória uma grande festa".

Imediatamente depois, o festival divulgou uma imagem do ex-Monty Python com uma camiseta de Dom Quixote para comemorar a vitória, declarando: "Ainda não estou morto. Vou a Cannes".

Gilliam sofreu um mal-estar no fim de semana passado em Londres, onde mora, e foi hospitalizado, antes de voltar para casa.

Em sua conta no Twitter, o diretor também afirmou que "após dias de descanso e orações aos deuses, estou recuperado".

"Como também está 'The Man Who Killed Don Quixote'", acrescentou.

Na origem do litígio está a ruptura do contrato entre Gilliam e Branco, que em 2016 comprou do primeiro seus direitos de autor-diretor, através de sua produtora Alfama.

Durante a pré-produção do filme, porém, os desacordos entre ambos levaram o produtor a suspender o início das filmagens.

Gilliam contactou então a produtora espanhola Tornasol, e com ela gravou o filme, entre março e junho de 2017, na Espanha e em Portugal. Mas Branco denunciou o cineasta britânico ante a justiça francesa.

- "Autorização excepcional"

Branco, presente em Cannes, afirmou em uma coletiva de imprensa que esta decisão lhe dava, apesar de tudo, a razão sobre o fundo da questão: "O filme pode ser exibido, mas o festival terá que informar todo mundo que isto não invalida de nenhum modo as decisões judiciais precedentes de outorgar os direitos à Alfama".

"Trata-se de uma autorização excepcional", afirmou, qualificando a decisão de "vitória".

"Esta projeção constitui um problema manifestamente ilícito, mas este problema será suficientemente reparado por enquanto" pelo anúncio que o festival terá que fazer antes da exibição, acrescentou a advogada do produtor português.

A decisão, à qual a AFP teve acesso, indica que o festival terá que "divulgar por sua conta" antes da exibição uma "advertência ao público, em forma de texto projetado na tela antes do início do filme".

A mensagem que deverá incluir é: "A projeção do filme 'The Man Who Killed Don Quixote' nesta sessão de encerramento do Festival Internacional de Cinema não prejulga em nada os direitos reivindicados" pela Alfama, "que são alvo de processos judiciais em andamento".

A justiça terá que se pronunciar sobre este caso em junho.

Este episódio prolonga um pouco mais a "maldição" que atinge há quase duas décadas "The Man Who Killed Don Quixote".

Em 2000, Gilliam teve que interromper as filmagens de sua adaptação livre da famosa obra de Miguel de Cervantes, com Jean Rochefort, Johnny Depp e Vanessa Paradis, devido a uma série de infortúnios, desde inundações no set até uma hérnia de disco sofrida pelo já falecido ator francês.

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