Publicidade

Estado de Minas

Londres incrimina Rússia por ciberataque NotPetya


postado em 15/02/2018 11:30

O Reino Unido apontou Moscou, e em particular seu Exército, como responsável pelo ciberataque NotPetya que afetou milhares de computadores em todo mundo em junho de 2017 - acusações "categoricamente" negadas pelo Kremlin.

Esta nova acusação de Londres é a última de uma série contra a Rússia, várias vezes apontada pelas autoridades políticas e militares britânicas como uma ameaça.

"O governo britânico considera que o governo russo, especificamente o Exército russo, foi responsável pelo ataque destrutivo NotPetya de junho de 2017", declarou o ministro da Segurança e Contraterrorismo para a Commonwealth, Tariq Ahmad, em um comunicado.

Ele convocou o país "a ser o membro responsável da comunidade internacional que pretende ser, em vez de, secretamente, tentar miná-la".

Já o ministro britânico da Defesa, Gavin Williamson, acrescentou que a Rússia "não está jogando dentro das regras, ao minar a democracia, (...) visando a infraestruturas fundamentais e fazendo da informação uma arma".

"Entramos em uma nova era de guerra, com uma mistura destrutiva e mortal de poder militar convencional e ataques cibernéticos maliciosos", acrescentou, citado pela agência de notícias Press Association.

- Objetivo: 'perturbar' -

Essas acusações foram contestadas pelo Kremlin.

"Nós negamos categoricamente tais declarações e as consideramos desprovidas de provas e sem mérito. Isso é apenas a continuação de uma campanha russofóbica", declarou seu porta-voz, Dmitry Peskov.

Iniciado na Ucrânia e na Rússia antes de se espalhar por todo mundo, o ataque de ransomware contaminou milhares de computadores. Em particular, perturbou multinacionais e infraestruturas críticas, como os controles em Chernobyl e os portos de Mumbai e Amsterdã.

Entre as empresas afetadas, destaque para a petroleira russa Rosneft, a transportadora dinamarquesa Maersk, a farmacêutica americana Merck, a francesa de materiais de construção Saint-Gobain e a de publicidade britânica WPP.

Na Ucrânia, o país mais afetado, em guerra com rebeldes separatistas pró-russos, as operações bancárias foram afetadas, bem como as telas de informação no principal aeroporto do país.

As autoridades mencionaram um ataque sem precedentes.

Sob o disfarce de uma empresa criminosa, o ataque "foi principalmente destinado a perturbar", segundo o Ministério britânico das Relações Exteriores.

- 'Sem resposta eficaz' -

Não é a primeira vez que Londres denuncia atos "hostis" da Rússia.

Em um discurso pronunciado em 2017, a primeira-ministra Theresa May citou "a anexação ilegal da Crimeia", além das campanhas "de ciberespionagem" e da "ingerência em eleições de outros países".

Em janeiro, o chefe do Estado-Maior britânico, general Nick Carter, declarou que a Rússia era uma ameaça e cobrou mais investimento para as Forças Armadas.

Pouco depois, o Reino Unido anunciou a criação de uma nova unidade nacional encarregada de lutar contra a "desinformação" proveniente de Estados estrangeiros - entre eles, a Rússia.

A Comissão de Informática, Cultura, Mídias e Esporte (DCMS, na sigla em inglês) da Câmara dos Comuns pede que Facebook e Twitter forneçam informações sobre uma possível interferência russa no referendo do Brexit em junho de 2016 e nas eleições legislativas posteriores.

"A Rússia demonstra um interesse contínuo em capacidades além da força militar convencional, que são mais fáceis de desenvolver e implantar sem serem notadas", afirmou na quarta-feira o diretor do International Institute for Strategic Studies (IISS), John Chipman, apresentando o último relatório de sua organização.

"Ainda não existe uma resposta efetiva do Ocidente sob a forma de medidas de contra-ataque, ou de sanções", afirmou.

Em outubro de 2017, o governo britânico acusou a Coreia do Norte de estar por trás do ataque mundial "Wannacry" ocorrido em maio. No episódio, o Serviço de Saúde Pública britânico (NHS) foi afetado.

De acordo com Londres, este ataque poderia ter sido motivado pelo desejo de Pyongyang, isolado na cena internacional, de acessar moeda estrangeira.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade