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Estado de Minas

Editor sueco detido na China 'confessa' e acusa Suécia


postado em 10/02/2018 11:12

O editor sueco de origem chinesa Gui Minhai reapareceu, três semanas após ser detido pela polícia chinesa, confessou ter se comportado mal e acusou seu país de adoção, Suécia, de tê-lo manipulado "como um peão de xadrez".

Não se sabe se as declarações, filmadas, são sinceras ou foram pronunciadas sob coerção. Ele aparece no vídeo rodeado por dois policiais, e um amigo declarou que "não se deve acreditar" em suas palavras.

Gui Minhai, 53, que comercializava em Hong Kong livros que ridicularizam o regime comunista, foi detido em 20 de janeiro num trem chinês que o levava a Pequim, onde se encontraria com um médico sueco. Ele estava acompanhado por dois diplomatas suecos.

Na última segunda-feira, a Suécia denunciou o sequestro "brutal" de Gui na China e exigiu a sua libertação imediata, pedido que também foi feito por União Europeia e Estados Unidos.

O governo chines confirmou no último dia 7 que o editor sueco estava detido.

No vídeo, Gui acusa a Suécia de "sensacionalismo" no caso de sua detenção. A filmagem está ligada a uma "entrevista" organizada ontem pelas autoridades chinesas com veículos cuidadosamente selecionados do país, explicaram os mesmos.

Gui acrescenta no vídeo que sofreu pressão da Suécia para deixar a China, apesar da proibição que pesa sobre ele de abandonar o território, devido a assuntos jurídicos pendentes. "Talvez tenha me tornado o peão da Suécia em um jogo de xadrez. Violei a lei instigado" pelos suecos, assinala.

O poeta dissidente Bei Ling, amigo de Gui, declarou que "não há nenhuma dúvida" de que o editor queria receber atendimento médico no exterior", e que "não se pode acreditar nas palavras de uma pessoa que está oprimida como um prisioneiro".

Em 2015, Gui desapareceu enquanto passava férias na Tailândia, antes de ressurgir em um centro de detenção chinês. Em fevereiro de 2016, apareceu chorando na televisão chinesa e confessou seu envolvimento em um acidente de trânsito anos antes, por estar embriagado.

As autoridades chinesas anunciaram a sua libertação em outubro de 2017, mas sua filha, Angela Gui, garantiu a uma rádio sueca que, desde que saiu da prisão, seu pai foi instalado em um apartamento da polícia sob vigilância na cidade portuária de Ningbo.

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