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Estado de Minas

Presidente do Irã alerta que não negociará sobre armas


postado em 06/02/2018 14:48

O Irã advertiu nesta terça-feira (6) que não negociará com ninguém sua capacidade militar, em particular seus mísseis balísticos, enquanto os Estados Unidos tentam proibir os programas de Teerã neste setor.

"Sobre o que diz respeito aos nossos meios defensivos, aviões, mísseis ou submarinos, nosso compromisso com o mundo (...) é que não buscamos armas de destruição em massa. Não negociaremos com ninguém sobre nossas armas", declarou o presidente iraniano Hassan Rohani em uma coletiva de imprensa em Teerã.

Rohani, que se expressou por ocasião das comemorações da vitória da Revolução Islâmica de 1979, recordou a posição de seu país, segundo a qual o Irã só produz armas para sua própria defesa.

"Os mísseis iranianos nunca foram ofensivos e não o serão. São defensivos e não se destinam a armas de destruição em massa porque, de qualquer forma, não temos tais armas", que são "imorais e contrárias à religião" (Islã), acrescentou.

A questão dos mísseis balísticos está no centro das tensões entre Teerã e os ocidentais.

A resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU de julho de 2015, adotada logo após o acordo nuclear entre Teerã e o Grupo dos Seis (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia), diz que o "Irã não pode realizar nenhuma atividade ligada a mísseis balísticos concebidos para transportar armas nucleares" e menciona um período de até oito anos.

Os Estados Unidos consideram que os testes de mísseis realizados regularmente por Teerã violam esta resolução e o acordo nuclear, ao que Teera nega, justificando que tais testes não são um problema uma vez que o Irã se comprometeu a não se dotar de armas atômicas.

Apresentado por seu partidários como a melhor maneira de impedir a República Islâmica de obter a bomba atômica, o acordo nuclear iraniano é questionado por Washington desde a chegada ao poder de Donald Trump.

Neste contexto, Rohani ressaltou nesta terça que o acordo não poderia ser renegociado, apesar das ameaças americanas de reimpor sanções econômicas se não forem tomadas medidas para evitar que Teerã desenvolva mísseis balísticos.

"A chave para os problemas entre Teerã e Washington está nas mãos de Washington. (Os Estados Unidos) devem parar suas ameaças, sanções e pressões e o clima entre os dois países mudará automaticamente", apontou Rohani.

"Estou satisfeito que Trump, após um ano na Casa Branca, ainda não conseguiu rasgar o acordo nuclear como havia ameaçado" durante a campanha, acrescentou.

O presidente americano lançou no mês passado um ultimato aos europeus, afirmando que retiraria seu país do acordo em maio, caso o texto não seja modificado.

Estados Unidos e Irã romperam relações diplomáticas em 1980 após a tomada de reféns na embaixada americana em Teerã por revolucionários iranianos.

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