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Estado de Minas

Costa Rica terá 2º turno entre pastor evangélico e ex-ministro


postado em 05/02/2018 10:12

A Costa Rica escolherá o seu próximo presidente em um segundo turno no dia 1º de abril entre o deputado e pastor evangélico de direita Fabricio Alvarado e o ex-ministro de centro-esquerda Carlos Alvarado, após as eleições gerais de domingo.

Os dois candidatos, além do mesmo sobrenome, são jovens e jornalistas de profissão que adoram música. Mas as semelhanças acabam por aí.

Com 86,6% das urnas apuradas, o deputado evangélico tem 24,78% dos votos, contra 21,74% do ex-ministro governista.

Fabricio Alvarado, 43 anos, é candidato pelo pequeno Partido Restauração Nacional (PRN), uma formação criada a partir das igrejas pentecostais que proliferaram no país.

Carlos Alvarado, ex-ministro do Trabalho de 38 anos, aglutinou as forças progressistas do país com uma mensagem de continuidade do atual governo do Partido Ação Cidadã (PAC).

Até dezembro, o deputado evangélico estava com 3% nas pesquisas de intenção de voto, mas ele disparou no fim da campanha por sua postura contrária ao casamento gay após uma declaração realizada em 9 de janeiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) a favor da união homossexual

"Sem dúvidas, a religião impulsionou Fabricio Alvarado e isto se acentuou com veemência a partir da resolução da corte (interamericana)", disse à AFP o analista político independente Jorge Vega.

"Hoje os costa-riquenhos saíram para votar e a mensagem é clara: a Costa Rica não quer mais do mesmo, não deseja mais as campanhas políticas de sempre. Por isto me uno ao movimento que foi criado de unidade, valores, de inovação e verdadeiro progresso", disse Fabricio Alvarado ao celebrar o resultado.

Reunido com simpatizantes em um hotel da capital, o candidato repetiu seu lema de campanha defesa da família e promoção de "princípios e valores".

Carlos Alvarado invocou a unidade nacional e citou desafios nas áreas de educação, economia, segurança e mudança climática.

"O próximo governo deve ser de unidade nacional, um governo que leve ao diálogo, que respeite as diferenças, que saiba transformar este país", disse o ex-ministro.

A eleição de domingo marcou a primeira vez desde a segunda metade do século passado em que o poder não será disputado por um dos dois partidos tradicionais do país, Liberação Nacional (social-democrata) e Unidade Social Cristã (centro-direita).

"O país mudou, o país político é distinto, e temos que prestar atenção", afirmou o cientista político Felipe Alpízar, do Centro de Pesquisas e Estudos Políticos (CIEP) da Universidade da Costa Rica.

Pesquisas do CIEP mostraram o avanço de Fabricio Alvarado desde uma entrevista em janeiro na qual mencionou a possibilidade de retirar a Costa Rica da CorteIDH por sua opinião a favor do casamento gay.

Jorge Vega destacou que o PRN conseguiu superar os dois partidos tradicionais do país nas províncias periféricas, onde o agora governante PAC nunca registrou votações significativas.

Estas são as regiões mais pobres, com menos educação e emprego, e onde a religião tem mais influência, destacou o analista.

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