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Estado de Minas

México e EUA comemoram estratégia renovada contra drogas e armas


postado em 02/02/2018 21:24

México e Estados Unidos combaterão o tráfico de drogas opioides e armas em sua fronteira com uma estratégia renovada, disseram nesta sexta-feira (2) os chanceleres dos dois países, após uma reunião na qual, juntamente com seu contraparte canadense, abordaram também o espinhoso tema do Nafta.

"Acordamos dar uma ênfase especial no combate que estamos realizando contra a epidemia de opioides e contra o fentanil, a heroína", disse o chanceler mexicano, Luis Videgaray, em conferência conjunta com o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.

É preciso ter "um enfoque diferente" na cooperação para combater toda a cadeia de distribuição de drogas, que está tendo "um terrível efeito em cidadãos americanos, mexicanos e canadenses", disse Tillerson no México, a primeira escala de sua primeira viagem à América Latina.

Os funcionários argumentaram o problema de saúde provocado por estas drogas nos Estados Unidos - país que é o maior consumidor de entorpecentes - e a crise de violência gerada no México pela disputa entre cartéis do narcotráfico.

Videgaray comentou, ainda, que em várias ocasiões, estes cartéis utilizam armas ilegais chegadas dos Estados Unidos para cometer seus crimes.

"Alcançamos um acordo sobre o paradigma (da Segurança), que deve ser de cooperação, não de estarmos mutuamente culpando uns aos outros", disse Videgaray.

O governo americano tem expressado constantemente sua inquietação com a situação de segurança no México, a ponto de o presidente Donald Trump afirmar recentemente que o México "agora é considerado o país mais perigoso do mundo", sem dar uma fonte para tal afirmação.

Este argumento, juntamente com uma política hostil perante os imigrantes mexicanos e centro americanos, tem servido ao chefe de Estado para defender seu projeto de construir um muro ao longo dos mais de 3.000 km de fronteira comum com o México.

- "Ganha - ganha - ganha" -

Ex-empresário do petróleo, Tillerson também falou com seus pares de México e Canadá sobre a difícil renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que reúne os três países.

A renegociação do acordo, em vigor desde 1994, "está avançando de forma séria, profissional", disse Videgaray, ao assegurar que os três países têm "uma grande oportunidade de que seja uma negociação ganha-ganha-ganha, onde ganhem México, Canadá e Estados Unidos".

"Não entendemos a negociação comercial (...) onde alguém perde e alguém ganha, queremos um acordo moderno que atualize as realidades do século XXI (...) plenamente justo, recíproco e que permita o comércio baseado em regras", acrescentou.

Por sua vez, a chanceler canadense, Chrystia Freeland, assegurou que os países precisam concluir as negociações "tão logo quanto possível".

"A incerteza nunca é boa" para os negócios, disse.

No fim de fevereiro será celebrada outra rodada de negociações, na qual se espera chegar a um acordo, apesar de Trump ameaçou abandonar o tratado, ao qualificá-lo como "talvez o pior na história do mundo".

Tillerson se reunirá nesta sexta-feira com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, que tem que encarar uma disputada eleição presidencial em julho, na qual seu Partido Revolucionário Institucional (PRI) parece ter poucas chances de se manter no poder.

- Venezuela e Rússia -

Antes de embarcar para o México de Austin, Texas, Tillerson alertou para o "alarmante" papel que a China e Rússia estariam assumindo na região.

"A América Latina não precisa de novos poderes imperiais que só buscam beneficiar seu próprio povo", afirmou, enquanto convidou a região a olhar para os Estados Unidos.

Nesta sexta-feira no México, advertiu para a possível influência que a Rússia poderia ter nas eleições do México e abordou a crise na Venezuela como "uma situação dolorosa para a região".

"Na Venezuela, o que gostaríamos que acontecesse é uma transição pacífica", que "sempre é melhor do que a alternativa da mudança violenta", disse, ao exortar o presidente Nicolás Maduro a "desmantelar a Assembleia Constituinte e retornar a eleições livres e justas".

O México anunciou recentemente sua retirada do processo de negociação entre o governo e a oposição da Venezuela, que se celebra na República Dominicana, em repúdio à convocação antecipada das eleições presidenciais no país caribenho.

No entanto, nesta sexta-feira Videgaray expressou sua "preocupação" e assegurou que empregará "todos os elementos diplomáticos" ao seu alcance para colaborar em uma solução para a crise.

"O México, em nenhum caso, apoiaria nenhuma solução que envolva violência", reforçou.

Após o encontro com Peña Nieto, Tillerson partirá da Cidade do México para a Argentina, onde visitará Bariloche e Buenos Aires.

Depois, seguirá sua viagem por Peru, Colômbia e Jamaica. Retornará para Washington na quarta-feira.

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