O Partido Socialista Unido da Venezuela (chavista) solicitou nesta quarta-feira ao poder eleitoral que aplique a pena de prisão contra os opositores que boicotarem as eleições municipais de dezembro.
"Solicitamos ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que preserve o direito dos venezuelanos de votar e adote as medidas estabelecidas na Constituição (...) contra os partidos que impeçam os direitos políticos", declarou em entrevista coletiva o dirigente do partido Jorge Rodríguez.
Pouco depois, o procurador-geral, Tarek William Saab, anunciou que o Ministério Público prepara uma investigação contra vários cidadãos que têm defendido "ignorar as instituições e banhar o país de sangue".
"Ninguém tem o direito de fazer o que quer porque não gosta de certo evento eleitoral, incendiar o país", destacou Saab.
Rodríguez recordou que a pena por impedir o exercício dos direitos políticos mediante "violência, ameaça ou tumulto" é de até 30 meses de prisão.
O político declarou ainda que está proibida propaganda eleitoral "que desestimule" o voto.
"Partidos como Vontade Popular (de Leopoldo López) e Primeiro Justiça (de Henrique Capriles) estão convocando à violência. Que se adotem ações", pediu Rodríguez ao CNE.
O dirigente atacou especialmente o vice-presidente do Parlamento, Freddy Guevara, da Vontade Popular. "Incluímos nisto o bonsai de Hitler, conhecido por Freddy Guevara".
Vontade Popular, Primeiro Justiça e Ação Democrática, os três principais partidos da Mesa da Unidade Democrática (MUD), rejeitam as eleições municipais por considerar que não há transparência no processo.
A oposição ignora ainda as eleições estaduais de 15 de outubro, na qual os chavistas de Maduro conquistaram 18 dos 23 governos.
A MUD, que levou as cinco prefeituras restantes, denunciou irregularidades e violência no processo eleitoral.
"Como tomaram uma surra, voltam a apelar à violência e à sedição", declarou Rodríguez.
