A produção industrial brasileira registrou em setembro um aumento de 0,2% em relação a agosto, quando havia retrocedido 0,7% - apontam dados divulgados nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A recuperação é inferior ao 0,5% esperado em média pelas 27 instituições consultadas pelo jornal Valor Econômico.
Em comparação interanual, o crescimento de setembro foi de 2,6%, no quinto aumento consecutivo.
Os dados parecem assegurar para 2017 o primeiro resultado positivo desse índice depois de três anos em queda livre, dentro da pior recessão da história do país.
No terceiro trimestre, o crescimento da produção industrial foi de 3,1% e, nos nove primeiros meses, alcançou 1,6%, nos dois casos em comparação com os mesmos períodos de 2016.
Na evolução de 12 meses, a produção industrial cresceu 0,4%, o primeiro avanço desde maio de 2014, segundo o IBGE.
Os dados confirmam um otimismo maior do setor.
Publicado na véspera pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança na Indústria (ICI) situou essa medição de outubro em 95,4 pontos, seu maior nível desde abril de 2014.
O mercado prevê um aumento da produção industrial de 2% este ano e, de 2,98%, em 2018, segundo a recente pesquisa Focus realizada semanalmente pelo Banco Central com analistas e investidores.
O dado deve impulsionar o PIB, com um aumento de 0,73% este ano, e 2,50%, no próximo, depois de dois anos de grave contração, conforme a mesma pesquisa.
A queda da produção industrial se arrastou durante três anos, com quedas de 3%, em 2014; 8,3%, em 2015; e 6,4%, em 2016.
Os dados econômicos favoráveis fortalecem o presidente Michel Temer e o impopular programa de reformas com o qual ele pretende recuperar a confiança dos investidores.
- Recuperação desigual -
A recuperação de 0,2% em setembro em relação a agosto se sustentou na produção de bens intermediários (+0,7%) e duráveis (+2,15), mas houve retrocessos nos bens de capital (-0,3%) e semiduráveis (-1,8%).
No total interanual, os dados foram, em compensação, positivos, com destaque para os bens duráveis (+16,2%) e de capital (+5,7%).
Todos esses bens se mantiveram no positivo nos primeiros nove meses do ano.
Em setembro, oito dos 24 setores examinados tiveram avanços em relação a agosto, começando pelo coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+6,7%) e produtos alimentícios (+4,1%), que haviam registrado queda em agosto.
Também houve avanço na indústria extrativa (+1%) e de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (+1%).
Os maiores retrocessos mensais aconteceram em setembro e foram registrados na produção de itens farmacêuticos (-20,9%) e de perfumaria, sabões e produtos de limpeza e higiene pessoal (-6,1%).
