A guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) acusou nesta quarta-feira o governo colombiano de colocar em "grave risco" o cessar-fogo bilateral acertado em Quito, após a morte de camponeses e indígenas pela polícia durante protestos.
A morte de seis camponeses plantadores de coca, dois dirigentes sociais e uma indígena kokonuko "expressam sérias violações por parte do governo que, se persistirem, estarão colocando em grave risco" o cessar-fogo, assinalou a delegação de paz do ELN em comunicado no Facebook.
Os camponeses perderam a vida em protestos contra a erradicação do plantio de coca por considerar insuficiente a ajuda econômica oferecida pelo governo para a substituição do cultivo ilegal.
A indígena kokonuko faleceu quando protestava para exigir a devolução de um território considerado ancestral que está sendo utilizado para atividades turísticas.
O ELN - última guerrilha ativa na Colômbia - pediu que observadores independentes que acompanham o cessar-fogo e "atuem de maneira urgente sobre estas delicadas violações dos acordos" firmados no Equador, sede dos diálogos de paz entre os rebeldes e o governo do presidente Juan Manuel Santos.
A trégua com o Exército de Libertação Nacional, a primeira bilateral desde a fundação do grupo guevarista, começou em 1º de outubro e terminará, a princípio, em 9 de janeiro.
Em meio ao cessar-fogo, governo e ELN devem abrir o seu quarto ciclo de diálogos em Quito no dia 23 de outubro.
Surgido em 1964, o ELN cresceu sob a influência da Revolução Cubana e da Teologia da Libertação, uma corrente da Igreja Católica que defende a luta em prol dos mais pobres.
