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Estado de Minas

ICAN vence prêmio Nobel da Paz para espantar risco nuclear


postado em 06/10/2017 14:37

A Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (ICAN, em inglês) venceu nesta sexta-feira o prêmio Nobel da Paz após uma década de esforços para proibir a bomba atômica, em um contexto de tensão com a Coreia do Norte e o Irã.

Setenta e dois anos depois das bombas atômicas americanas caírem sobre Hiroshima e Nagasaki, o Comitê do Nobel quis ressaltar os incansáveis esforços da ICAN para livrar o mundo das armas nucleares. Com isso, também enviou uma mensagem às potências nucleares para que iniciem "negociações sérias" destinadas a eliminar o seu arsenal.

"Vivemos em um mundo onde o risco de que utilizem as armas nucleares é o mais alto que já existiu", declarou a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen.

"Alguns países modernizam os seus arsenais nucleares e o risco de que cada vez mais países se dotem de armas nucleares, como a Coreia do Norte, é real", acrescentou.

Após os prêmios científicos e de literatura, esperava-se que o Nobel recompensasse este ano os esforços para eliminar as armas nucleares ou impedir a sua proliferação. Nesta edição, o número de candidatos ao Nobel da Paz foi de 318.

Em sua primeira reação ao prêmio, o ICAN criticou diretamente o presidente americano, Donald Trump, diante dos riscos de um incidente nuclear no mundo.

"A eleição do presidente Donald Trump incomodou muita gente pelo fato de que pode autorizar por si só o uso das armas nucleares", declarou aos meios de comunicação a diretora da ICAN, Beatrice Fihn, em Genebra.

"As armas nucleares não dão segurança nem estabilidade", como demonstra que as pessoas em Estados Unidos, Japão e Coreia do Norte não se "sentem especialmente seguras", acrescentou.

"Esse prêmio não vai contra ninguém", destacou Reiss-Andersen.

- 'Um mundo sem armas nucleares' -

A ICAN, que agrupa centenas de ONGs, milita incansavelmente há quase 10 anos pela supressão do armamento nuclear.

Impulsionou um histórico tratado de proibição das armas nucleares que foi adotado por 122 países em julho, embora o seu alcance seja, sobretudo, simbólico, dada a ausência das nove potências nucleares entre os signatários.

Este Nobel é outorgado em um momento em que Donald Trump deve certificar ante o Congresso antes de 15 de outubro que o Irã respeita os compromissos do histórico acordo de 2015. Este acordo impõe estritas restrições ao programa nuclear iraniano em troca de uma retirada das sanções.

Segundo o Washington Post, Trump teria decidido não certificá-lo, o que abriria caminho para a imposição de novas sanções a Teerã.

O prêmio para a ICAN é uma lembrança de que "hoje, mais do que nunca, precisamos de um mundo sem armas nucleares", tuitou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Sobreviventes dos bombardeios atômicos nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ao fim da Segunda Guerra Mundial, também manifestaram a sua alegria.

"Estou feliz de que a ICAN, que como nós atua para acabar com as armas nucleares, tenha vencido o prêmio Nobel da Paz", declarou, citado pela emissora NHK, Sunao Tsuboi, de 92 anos, que ficou gravemente queimado na explosão da bomba lançada contra Hiroshima, após a qual sofreu com um câncer.

Na lista de vencedores, a ICAN sucede o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, premiado em 2016 por seus esforços para acabar com mais de meio século de conflito neste país latino-americano.

Fundada em 2007 em Viena durante uma conferência internacional sobre o tratado de não-proliferação nuclear, a ICAN tem a sua sede em Genebra, nas instalações do Conselho Ecumênico das Igrejas, outra organização internacional.

Conta com 424 ONGs associadas em 95 países e com o apoio de inúmeras personalidades, entre elas dois vencedores do prêmio Nobel da Paz, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu (1984) e a americana Jody Williams, que o recebeu em 1997 pela Campanha Internacional para a Proibição das Minas Antipessoais.

Embora a quantidade de ogivas tenha reduzido em 30 anos - passou de 64.000 em 1986 para pouco mais de 9.000 em 2017, segundo o Bulletin of the Atomic Scientists (BAS) -, o número de países que possuem armas nucleares aumentou.

Hoje são nove os países que contam com tais armas de destruição em massa: Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel.

A ICAN receberá o prêmio, que consiste em uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de nove milhões de coroas suecas (1,1 milhão de dólares), durante uma cerimônia em Oslo em 10 de dezembro, data da morte do criador dos prêmios, o filantropo sueco e inventor da dinamite, Alfred Nobel.


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