O governo espanhol pediu, neste domingo (1º), às autoridades separatistas da região da Catalunha que ponham fim à "farsa" do referendo de autodeterminação. "Continuar esta farsa não tem qualquer sentido, não leva a lugar algum. Deveriam pôr fim a ela imediatamente", disse a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, em mensagem ao presidente catalão, o separatista Carles Puigdemont, e a toda sua equipe.
"A Generalitat (órgão regional de governo) se comportou com uma absoluta irresponsabilidade, pretendendo que a lei e a Justiça fossem invalidadas na Catalunha e, com elas, a democracia", acrescentou a vice-presidente, que criticou o líder catalão fazendo, inclusive, um paralelo com a ditadura franquista (1939-1975). "Não sei o que viveu em sua vida o senhor Puigdemont, mas a democracia espanhola não funciona assim. Há muito tempo que nos livramos de uma ditadura e de que tivesse um senhor que dizia que sua palavra é lei", completou.
No mesmo tom, o ministro espanhol do Interior, Juan Ignacio Zoido, já havia pedido a Puigdemont e a sua equipe "que recuassem em sua atitude de uma vez por todas". Em declarações mais cedo, o delegado do governo espanhol na Catalunha, Enric Millo, também pediu às autoridades separatistas que ponham fim à "farsa" do referendo.
"Um gesto que os honra", afirmou Millo, horas depois de criticar a inação dessa Corporação para impedir a abertura dos colégios eleitorais. A ofensiva policial contra os manifestantes decididos a votar já deixou vários feridos. De acordo com testemunhas, os agentes chegaram a atirar com balas de borracha.
Os serviços de Saúde do governo regional catalão relataram pelo menos 92 feridos, até o momento, nos incidentes ocorridos neste domingo. Um porta-voz dos serviços de Saúde disse que 465 pessoas foram atendidas em hospitais e centros médicos. Entre elas, há dois gravemente feridos, um atingido no olho, e outro vítima de um infarto durante a ação policial em Lérida, a 150 quilômetros de Barcelona.
Pelo menos nove agentes da Polícia Nacional e três da Guarda Civil também teriam ficado feridos, "quando cumpriam as ordens da Justiça", tuitou o Ministério do Interior, acrescentando que os agentes foram agredidos com pedras.
