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Estado de Minas

Caçada europeia ao autor do atentado de Barcelona


postado em 21/08/2017 11:46

As autoridades espanholas ampliaram para toda Europa a busca ao marroquino Younes Abouyaaqoub, suposto autor do atentado de Barcelona e da morte de outro homem em sua fuga, o que elevou para 15 o número de vítimas fatais nos ataques da semana passada.

"É perigoso e pode estar armado. É procurado como suposto autor do atentado de Barcelona de 17 agosto. Trata-se do motorista da van", anunciou a polícia, que divulgou fotos de Abouyaaqoub e descreveu o suspeito como uma pessoa de 1,80 metro, de "pele escura, cabelo curto e possivelmente com barba".

As autoridades pediram a colaboração da imprensa e da população para encontrar o foragido, que desapareceu na quinta-feira (17) à tarde na região de Barcelona.

"A prioridade é a busca desta última pessoa que nos resta encontrar", afirmou o conselheiro do Interior da Catalunha, Joaquim Forn.

"É a principal atividade que temos nos próximos dias até que consigamos encontrá-lo", disse o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, em Madri.

Os dados de Abouyaaqoub foram repassados às polícias europeias para possibilitar uma busca continental.

"Não podemos afirmar que não tenha passado por alguma fronteira", disse o comandante da polícia regional catalã, Josep Lluís Trapero.

- Nova vítima -

Na última quinta-feira, o jovem marroquino de 22 anos avançou com uma van, a toda velocidade, por 500 metros na movimentada avenida de Las Ramblas. No ataque, deixou 13 mortos e 120 feridos.

Em seguida, abandonou o veículo e percorreu quase seis quilômetros no sentido sul. Depois de uma hora e meia, chegou a uma área universitária, na saída da cidade, bastante esvaziada em agosto.

No local, ele esfaqueou um espanhol que estacionava seu veículo e prosseguiu a fuga, conseguindo passar por um controle policial, explicou Trapero.

O corpo da vítima, Pau Pérez, um homem de 34 anos, foi encontrado pouco depois em seu Ford Focus a três quilômetros de distância, mas apenas nesta segunda-feira as autoridades confirmaram a relação com os atentados.

"Por isto, elevamos o número de vítimas de 14 para 15", disse Joaquim Forn.

As 15 vítimas fatais, sete mulheres e oito homens, já foram identificadas: cinco espanhóis, incluindo um menino de três anos, uma mulher com cidadania espanhola e argentina, três italianos, duas portuguesas, uma belga, um americano, um canadense e um menino com cidadania australiana e britânica de sete anos.

- Epicentro extremista -

Abouyaaqoub seria o único foragido da célula de 12 integrantes que executou os atentados de Barcelona e Cambrils, uma localidade costeira 120 km ao sul, onde uma mulher morreu e seis pessoas ficaram feridas.

Quatro foram detidos, e cinco mortos, pela polícia em Cambrils. As autoridades suspeitam de que os outros dois tenham morrido na detonação registrada na quarta-feira passada em uma casa de Alcanar (200 km ao sul de Barcelona), onde preparavam explosivos para um ou vários atentados de grande envergadura.

Vários integrantes da célula moravam em Ripoll, cidade próxima dos Pirineus, a 100 km de Barcelona, onde a polícia lançou novas operações nesta segunda-feira.

O imã desta localidade, o marroquino Abdelbaki Es Satty, pode ser um dos mortos de Alcanar. Ele é apontado como uma figura-chave da investigação, pois teria doutrinado os demais integrantes do grupo, todos muito jovens e sem antecedentes por terrorismo.

O religioso permaneceu detido na Espanha entre 2010 e 2014 por tráfico de drogas, segundo as autoridades catalãs. Depois, morou em Machelen, na periferia de Bruxelas, "entre janeiro e março de 2016", segundo o prefeito da localidade vizinha de Vilvorde, Hans Bonte.

Ali Assid, presidente da comunidade muçulmana Annour, em Ripoll, afirmou nesta segunda-feira que "nunca houve uma mensagem radical" do imã e que, se ele está por trás dos ataques, "é porque tinha duas caras, uma na mesquita e outra fora".

Analistas afirmam que essa região é o fogo da atividade extremista na Espanha, com uma importante concentração de mesquitas salafistas onde poderia acontecer esse tipo de captação.

- Unidade entre Barcelona e Madri -

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, fez um apelo por unidade, em um momento de divisão entre Madri e Barcelona, resultado do desejo de separação do governo catalão, que pretende organizar um referendo sobre a independência em outubro.

"Se quisermos ser realmente eficazes contra o terrorismo, devemos estar unidos", escreveu Rajoy, em um artigo publicado em vários jornais.

Em Madri, aconteceu uma reunião do Pacto Antiterrorista, fórum que reúne a maioria dos partidos políticos do país. Os concordaram, "de forma unânime, com a mais absoluta condenação e o mais enérgico repúdio aos atentados", disse o ministro do Interior.

Quatro dias depois dos ataques, 50 pessoas continuam hospitalizadas, nove delas em situação crítica e 13 em estado grave, segundo o serviço de Defesa Civil da Catalunha.


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