As companhias aéreas começaram a recusar, neste sábado, o embarque de cidadãos de sete países para os Estados Unidos, horas depois de o presidente Donald Trump proibir a entrada de viajantes procedentes de Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália, Sudão e Iêmen. O decreto foi assinado sob o pretexto de combater os "terroristas islâmicos radicais".
No Cairo, um casal de iraquianos e seus dois filhos, todos com vistos para os Estados Unidos, foram barrados em um voo da EgyptAir, com o argumento das novas normas migratórias, indicaram à AFP fontes aeroportuárias.
Encarregados de duas agências de viagem disseram ainda ter recebido instruções das companhias Emirates, Etihad e Turkish Airlines de recusar a venda de passagens, inclusive para cidadãos iranianos com visto de entrada nos Estados Unidos.
Uma jovem iraniana que estuda administração na Califórnia disse à AFP, sob a condição de ter a identidade preservada, que sua "passagem (de volta para os EUA) na Turkish, datada para 4 de fevereiro, foi cancelada".
Na primeira reação enérgica contra a medida da Casa Branca, o governo iraniano a qualificou de "insultante" e neste sábado anunciou medidas de reciprocidade e a proibição de entrada de cidadãos norte-americanos em seu território.
Irã e Estados romperam relações diplomáticas há 37 anos, mas, segundo estimativas iranianas, um milhão de jovens deste país estudam em território norte-americano. Além disso, muitos iranianos viajam regularmente para visitar familiares que emigraram.
Primeiras ações judiciais
Várias associações de defesa dos direitos civis acionaram, neste sábado, em território norte-americano, o decreto de Trump, após a detenção de dois iraquianos no aeroporto de Nova York.
Mohamed Eljareh, um pesquisador líbio que trabalha para o centro de análises Atlantic Council, teme que o texto assinado por Trump afete pessoas que viajam regularmente aos Estados Unidos para fins de trabalho ou estudo. "É provável que essa disposição impacte os estudantes líbios nos Estados Unidos e seus familiares, e também os pesquisadores com vínculos com universidades norte-americanas", disse.
A medida só exclui cidadãos com visto diplomático ou os que trabalham com estatutos similares, como, por exemplo, funcionários de organizações multilaterais como o Banco Mundial.
O decreto assinado por Trump também proíbe a entrada de mais refugiados sírios nos Estados Unidos. Este país recebeu 18.000 refugiados desta origem desde 2011.
"Somos refugiados. Qual é o problema de entrarmos legalmente nos Estados Unidos? O que fizemos?", lamentou Ibtissam Youssef al-Faraj, uma mãe de família síria de 41 anos em um campo de refugiados de Bekaa, no Líbano.
O ministério das Relações Exteriores sudanês "lamentou" a decisão e condenou que tenha sido tomada dias após a suspensão "histórica" de sanções econômicas ao país africano. Em 13 de janeiro, o então presidente norte-americano Barack Obama tinha anunciado a suspensão parcial das sanções ao constatar "progressos" da parte de Cartum, acusada no passado de apoiar grupos islâmicos armados.
