O que parece ser o começo da efetivação das promessas de campanha de Donald Trump em relação aos imigrantes que moram nos Estados Unidos está causando apreensão. Brasileiros que residem no país contam que o clima de incertezas prevalece, principalmente, entre os que não possuem a documentação necessária para permanecer no país. Imigrante que mora por lá contou à reportagem do Estado de Minas que, apesar de a situação ser complicada, a maioria está preferindo vencer o medo da deportação e “pagar para ver”.
A assinatura de decreto por Trump para dar início à construção de um muro ao longo da fronteira com o México, além de congelar recursos públicos para cidades que se negam a prender e a deportar imigrantes em situação irregular, é visto como uma espécie de “sinal verde” para que os planos de repressão à imigração comecem a entrar em prática.
“A grande maioria dos brasileiros está apreensiva”, disse A.T.S, de 57 anos, que preferiu não revelar seu nome, já que está nos EUA de forma irregular. Ele conta que saiu de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, há cerca de 25 anos e, apensar do receio, não pretende voltar ao Brasil. Ainda de acordo com o relato de A.T.S, mesmo com as palavras e atos agressivos de Trump, os brasileiros que estão por lá vão preferir aguardar e ver como as coisas funcionarão na prática. “Eu acho que, ao pé da letra, ele não deve seguir o que falou. Aqui as leis americanas dão garantias e direitos mesmo aos imigrantes. Então, não adianta ele falar, tem uma série de garantias”, analisou.
Para A.T.S, a opção de aguardar um pouco mais para ver como se darão as medidas anunciadas por Trump tem explicação em outros momentos de tensão. Ele conta que em 2001, ainda no governo de Bush, muitos brasileiros deixaram aquele país por causa da crise financeira, mas acabaram se frustrando ao chegar ao Brasil. “Na época existia uma espécie de marketing de que as coisas no Brasil estavam melhores. Então, ao primeiro sinal de crise todo mundo quis ir embora, mas a maioria acabou voltando depois e viu que as coisas, na verdade, não estavam assim tão boas. Por isso, agora muitos desses preferem ficar”, contou.
A região de Governador Valadares, origem de A.T.S, é uma das principais com fluxo migratório. Por volta da década de 1960 ocorreu o auge dessa prática, principalmente na década de 1980, com a economia brasileira em forte recessão. Atualmente, ela ocorre de forma menos intensa, mas segue com em ritmo contínuo.
Estudo desenvolvido pela Ph.D em sociologia e ciência política e professora da Universidade do Vale do Rio Doce (Univale), Sueli Siqueira, foi observado que cerca de 54,7% das famílias de Governador Valadares têm alguma experiência migratória. Isso significa que na família pelo menos uma pessoa viveu essa experiência de morar fora do país. “Isso é um número muito significativo”, considera a pesquisadora.
OBSTÁCULOS
Donald Trump também quer proibir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos, e principalmente de sírios. Hoje, ele deve assinar outros decretos, com o objetivo de limitar a imigração e o acesso aos Estados Unidos para os refugiados vindos do Iraque, Irã, Líbia, Somália, Síria e Iêmen, segundo o Washington Post. Os cidadãos desses países já enfrentam uma série de obstáculos para obter um visto americano, ressalta o jornal.
Trump também prometeu suprimir o programa “DACA”, criado por seu antecessor Barack Obama em 2012 e que ajudou mais de 750 mil imigrantes ilegais que chegaram no país ainda menores de idade a obter vistos de residência e trabalho. (Com agências)
enquanto isso...
…menina síria pede ajuda
Uma menina síria que se tornou famosa por seus tuítes durante o cerco a Aleppo lançou um pedido de ajuda para as crianças sírias em carta aberta enviada ao novo presidente americano Donald Trump, informou a BBC. “Sou uma das crianças sírias que sofreram com a guerra na Síria”, escreve Bana Al Abed, de 7 anos, evacuada em dezembro de Aleppo para a Turquia, em uma carta transmitida por sua mãe à BBC e citada pela rádio na noite de terça-feira. Na carta, Bana explica a Trump que sua escola em Aleppo foi destruída por bombardeios e que muitos de seus amigos morreram. “É preciso fazer algo pelas crianças da Síria porque elas são semelhantes a suas crianças e merecem viver em paz como o senhor”, reforça. Entre os mais de 300.000 mortos durante a guerra na Síria em seis anos, há ao menos 15.000 crianças.
