O magnata Donald Trump, mesmo sem nenhuma experiência política, surpreendeu e venceu a eleição presidencial dos Estados Unidos, superando a democrata Hillary Clinton, um terremoto político que leva o país e o mundo a um período de muitas incertezas.
"Serei o presidente de todos os americanos", anunciou Trump exultante no discurso da vitória, ao lado da esposa, Melania Trump, e de seus filhos.
"Isto foi muito duro", completou, ao agradecer à família.
"Chegou o momento de os Estados Unidos fecharem as feridas da divisão, devemos nos unir: aos republicanos, democratas e independentes desta nação afirmo que é hora de união", disse Trump.
Em uma mensagem à comunidade internacional, que acompanhou com apreensão a eleição americana, Trump disse: "Vamos tratar a todos com justiça. Todos os povos e todas as nações. Buscaremos terreno comum e não hostilidade; associação e não conflito".
O presidente eleito americano afirmou que a adversária, Hillary Clinton, telefonou para felicitá-lo por sua vitória. Trump disse que os Estados Unidos têm uma "dívida de gratidão" com Clinton.
Oito anos depois da eleição de Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos, o bilionário de 70 anos, conhecido por sua rede de hotéis cassinos, venceu nos estados-chave da Flórida, Pensilvânia e Ohio e soma pelo menos 290 dos 270 votos que necessitava no colégio eleitoral para chegar à Casa Branca.
A democrata Hillary Clinton tinha apenas 218, um duro golpe para a ex-secretária de Estado que sonhava em se tornar a primeira mulher presidente dos Estados Unidos e uma derrota para Obama, que se dedicou a apoiar a candidata de seu partido.
O medo de uma vitória de Trump, que chamou os mexicanos de "estupradores" e "narcotraficantes" e que prometeu construir um muro nos 3.200 km de fronteira com o México, mobilizou muitos latinos, a principal minoria do país, mas sem força suficiente para dar o triunfo a Hillary.
Os mercados financeiros, que tinham clara preferência por Hillary Clinton, fecharam em queda na Ásia e operavam em baixa na Europa.
- Divisões -
Poucas vezes nas últimas décadas uma eleição presidencial americana foi disputada por dois candidatos tão antagônicos, com visões tão distintas.
Com seu discurso anti-imigração, impulsivo e corrosivo, denunciado por várias mulheres que afirmaram ter sido apalpadas por ele, Trump marcou para sempre um estilo de fazer campanha política. A liderança do Partido Republicano praticamente deu as costas a ele.
"Votei em Trump e contra o sistema. Trump diz muitas bobagens porque ele não é um político, não está adestrado. Mas o mais importante para o país é o comércio, as relações internacionais e a economia. E as pessoas estão quebradas, precisam de uma mudança", disse Abteen Daziri, de 38 anos e de origem iraniana.
A advogada Hilarry Clinton é uma figura política há 25 anos, detestada por metade dos americanos, que duvidam de sua honestidade. Esposa do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001), foi primeira-dama, senadora e depois secretária de Estado do presidente Barack Obama.
A trajetória de Hillary Clinton como candidata democrata rumo à Casa Branca foi ofuscada pela investigação do FBI contra ela pelos e-mails enviados a partir de um servidor privado no momento em que era secretária de Estado.
"Estou devastada, perdi a fé em meus compatriotas, não sei o que nos espera no futuro, me sinto perdida", afirmou Kate Kalmyka, uma advogada de 36 anos que acompanhava, indignada, os resultados em um bar de Nova York.
- Incertezas -
Os desafios a partir de agora são enormes e reina a incerteza no no cenário político e diplomático, como as relações com a Rússia ou o envolvimento dos Estados Unidos no conflito da Síria.
O presidente russo, Vladimir Putin, felicitou Trump por sua vitória, com a qual espera uma melhora nas relações Rússia-EUA.
O magnata já deu a entender que poderia reconhecer a anexação da Crimeia pela Rússia, elogiou Putin e defendeu laços mais próximos com Moscou.
A primeira-ministra britânica Theresa May felicitou Trump por seu triunfo e prometeu manter a "relação duradoura e especial" dos dois países.
O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, prevê tempos "mais difíceis" com a chegada de Trump à Casa Branca.
O chanceler francês Jean-Marc Ayrault questionou o que acontecerá com o acordo de Paris sobre o clima ou com o acordo nuclear com o Irã, temas sobre os quais Trump já deu declarações polêmicas.
Na economia, Trump terá que lidar com o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimentos (TTIP) ou o TPP.
Outra incógnita diz respeito à normalização das relações com Cuba, iniciada pelo democrata Barack Obama.
Nos últimos dias, ele prometeu que "suspenderá o programa de refugiados sírios" para impedir a entrada de "terroristas islâmicos", mas não voltou a mencionar a ideia de deportar os 11 milhões de imigrantes sem documentos.
- Maioria no Congresso -
Os republicanos conquistaram a maioria no Senado nas eleições de terça-feira e continuarão controlando o conjunto do Congresso americano, algo muito importante para o presidente eleito Donald Trump.
Controlando a Casa Branca e o poder Legislativo, os republicanos terão a capacidade de anular as reformas do presidente Barack Obama e principalmente seu controverso programa de seguro-saúde batizado de "Obamacare".
O controle do Senado, que se soma ao da Câmara de Representantes, também lhes permitirá controlar o processo indicação dos funcionários governamentais de mais alto escalão e dos juízes da Suprema Corte.
O Senado, um terço do qual foi renovado na terça-feira (34 membros), havia oscilado para o campo republicano em 2014, limitando consideravelmente a margem de manobra do presidente Obama.
