
Miami - Estado pêndulo com o maior número de delegados (29), a Flórida foi palco de uma disputa acirrada. No momento da publicação deste texto, quando 98% das urnas estavam apuradas, a vitória de Donald Trump estava consolidada com 49,1% dos votos. Hillary marcava 47.7%.
A disputa no estado mostrou aos coordenadores das campanhas que a Flórida precisa de estratégias à parte em cada eleição. Em 2012, os eleitores deram a vitória ao democrata Barack Obama, cuja cor do partido é a azul. Desta vez, a cor mudou.
Nem mesmo as investidas de Obama em favor dr Hillary teriam sido suficiente para impedir a vitória do bilionário na Flórida. Todos sabiam que seria uma disputa acirrada. Afinal, pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas sinalizaram o quanto a corrida à Casa Branca no estado seria tensa para Hillary e Trump. Os indicadores de intenção de voto alternaram a posição entre os candidatos na temporada pré-8 de novembro.
Especialistas não arriscaram placar dilatado. Dada à concorrência acirrada, os candidatos aproveitaram as grandes comunidades de hispânicos para divulgar as propagandas na televisão e no rádio também em língua espanhola. "O Norte da Flórida é, tradicionalmente, republicano. O Sul, democrata. O meio, onde está Orlando, é a área que flutua. Nos últimos anos, muitos porto-riquenhos chegaram àquela região, devido a crise financeira no país de origem. Eles, geralmente de tendência democrata", disse o professor José Maria Cardoso da Silva, professor da Universidade de Miami.
Ana Pino, de 50 anos, é uma porto-riquenha que vive na Flórida e optou por Hillary. "Ela é melhor preparada que ele. Tem experiência política. Além disso, o empresário desrespeita as mulheres", criticou a eleitora, referindo-se às acusações contra o magnata por assédio sexual.
Mas a comunidade hispânica pró-Trump, sobretudo cubanos, também fez barulho. Ontem, vários deles saíram cedo às ruas de Hialeah, cidade vizinha a Miami, onde a população que deixou a ilha é significativa, para pedir votos em favor do empresário. Sergio Camaraza foi um deles. Ele percorreu vários quarteirões com sua bicicleta estampada com propagandas em favor do postulante vermelho. "Trump é muito melhor que Hillary, uma comunista favorável ao aborto", afirmou o cubano, que se mudou para a terra do Tio Sam há 23 anos.
Ele já havia votado antecipadamente e retornou aos locais de votação para uma espécie de boca de urna autorizada - apoiadores podem distribuir santinhos dos candidatos a 75 metros de distância das urnas. Assim como ele, mais de 6 milhões de moradores do estado votaram antecipadamente. Por isso, muitos locais de votação não registraram fila longa. Mas houve confusão.
BATE-BOCA Já em Hialeah, houve bate-boca durante a tarde, cubanos discutiram aos berros em frente a uma biblioteca que serviu como ponto de votação. Não houve agressão física entre os apoiadores da ex-senadora e do bilionário, mas a polícia foi chamada para evitar novas brigas. As discussões entre eleitores são um retrato de como foi a disputa presidencial americana, marcada por escândalos envolvendo os dois candidatos.
