A apuração da eleição nos Estados Unidos confirmou as previsões de que seria a mais acirrada da história do país. A democrata Hillary Clinton e o magnata republicano Donald Trump disputaram voto a voto o comando da Casa Branca. Até a madrugada desta quarta-feira, o resultado continuava indefinido. Por volta das 2h, Trump mantinha-se a frente, mas a democrata virou e, às 2h30, tinha 190 votos contra 186 do adversário. Para se eleger, é encessário conquistar 270 votos.
Por causa do fuso horário, na Costa Oeste dos EUA, onde a eleição terminou mais tarde, a apuração ainda se mantém em aberto, como na Califórnia, estado que concentra 55 dos delegados e, tradicionalmente, conta com vantagem da democrata. A maior expectativa estava em torno de estados onde a concorrência entre os dois candidatos era grande, como a Flórida (29 delegados) e a Pensilvânia (20).
Na Flórida, que Trump precisa para vencer e onde Hillary ganhou terreno graças ao voto dos porto-riquenhos, os candidatos disputavam cabeça a cabeça: com 91% das urnas apuradas, Trump liderava com 49,1% dos votos contra 47,8% para a adversária. Trump conseguiu mostrar força nos estados indecisos.
Pela primeira vez na história, o voto latino pode ser decisivo e ajudar Hillary a chegar à Casa Branca. Trata-se de uma rejeição à Trump, que declarou que fechará o cerco à imigração ilegal. No fim da tarde de ontem, a poucas horas do encerramento das eleições, Donald Trump fez um apelo para que eleitores não deixassem de ir votar. “Não esmoreçam, continuem saindo para votar – essas eleições estão longe do fim! Estamos nos saindo bem, mas ainda resta muito tempo. VAMOS, FLÓRIDA!”, escreveu em sua conta do Twitter.
O candidato foi recebido sob vaias ao chegar à escola pública na qual estava registrado para votar, no Upper East Side, em Manhattan (Nova York). Antes da chegada de Trump, duas mulheres foram presas na mesma seção eleitoral por tirarem a blusa em protesto contra o candidato.
Na tarde de ontem, Trump se recusou, novamente, a dizer se aceitaria o resultado das eleições, caso não fosse eleito. Em depoimento à rede CNN, ele reclamou do funcionamento de máquina de votação. “Há relatos de que, quando alguém vota pelos republicanos, a cédula muda para democratas. São as máquinas”, afirmou.
O republicano acompanhava a apuração junto da família, no Trump Tower, em Manhattan. Pouco depois das 8h (11h em Brasília), depois de votar na Escola Primária Douglas G. Grafflin, em Chappaqua, a pouco mais de 50 quilômetros de Nova York, uma sorridente Hillary admitiu aos repórteres: “Tanta gente conta com o resultado desta eleição, no que isso significa para nosso país, e farei o meu melhor se tiver a oportunidade de vencer hoje”, declarou a ex-secretária de Estado.
À noite, quando os resultados apontavam Trump a frente, ela foi mais cautelosa e escreveu no Twitter: “Independentemente do que acontecer hoje à noite, obrigada por tudo”, agradecendo a sua equipe de campanha. CLIMA O show protagonizado por democratas e republicanos durante a campanha presidencial norte-americana ficou para trás no dia da votação. Após meses de show de luzes, o clima festivo se limitava a poucas manifestações.
Pesquisa divulgada ontem pela Morning Consult/Político apontava que 85% dos eleitores “só queriam que as eleições acabassem logo” e apenas 29% disseram-se “orgulhosos” diante do seguinte questionamento: “Descreva como você se sente a respeito da eleição de 2016”. Os “felizes” não passaram de 25%; os “nervosos” eram 71%. O assunto dominou a internet durante o dia.
Nos Estados Unidos, por volta das 10h, nove dos 10 assuntos mais citados no Twitter diziam respeito à votação. Às 13h, eram sete. Às 17h, oito. Nos temas comentados do Brasil, a hashtag #EleicoesnosEUA esteve na liderança durante todo o dia.
