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Estado de Minas

Conheça o que está em em xeque nas eleições dos EUA

Com a divulgação dos resultados das urnas, o sucessor do carismático Barack Obama deverá enfrentar desafios nas mais diversas áreas


postado em 08/11/2016 06:00 / atualizado em 08/11/2016 09:01


De um lado, um republicano que pretende expurgar a imigração ilegal, revogar decisões populares do governo de Barack Obama e tomar medidas controversas na economia. Um magnata conservador que ganhou fama pelo discurso intempestuoso e intolerante. De outro lado, uma democrata envolta em um escândalo, após utilizar um servidor privado de e-mails enquanto secretária de Estado. Uma ex-primeira dama que deseja honrar o legado do primeiro presidente afro-americano do país.

Na madrugada de amanhã, o mundo deverá conhecer quem será o próximo ocupante da cadeira do Salão Oval da Casa Branca. Donald Trump ou Hillary Clinton, qualquer um que vencer as eleições de hoje e ser ovacionado, na madrugada desta quarta-feira, terá pela frente desafios monumentais e precisará de talento e de sorte para evitar a paralisia política da nação mais poderosa do planeta. No entanto, para comandar os Estados Unidos, também será necessário jogo de cintura para lidar com um Congresso dividido, com o lobby dos planos de saúde e com interesses econômicos e comerciais.

Caso Trump contrarie as pesquisas recentes e saia vencedor, uma das principais conquistas sociais de Barack Obama estará fadada à extinção imediata. “Trump e um provável Congresso republicano vão revogar o Obamacare, resultando em cortes massivos para dezenas de milhões de norte-americanos”, alerta ao Estado de Minas Bruce Ackerman, professor de direito e de ciência política da Universidade de Yale. Uma decisão com um custo a longo prazo, segundo o analista. “Um dos maiores problemas políticos para Trump será o de confrontar as consequências eleitorais dessa resolução em 2018, quando haverá um esforço mobilizado no repúdio ao Partido Republicano pelo ataque ao bem-estar social. Isso vai preparar o caminho para outra campanha presidencial divisiva, em 2020”, acrescenta.

Ackerman aposta que os principais desafios do próximo presidente dependerão do resultado das eleições para o Congresso. Uma vitória de Trump deve surtir na maioria republicana no Senado e na Câmara dos Deputados, o que daria força ao magnata para implementar o seu programa de governo. “Qualquer coisa que ocorra envolverá expulsões em massa de imigrantes não documentados e severas restrições sobre a imigração, além de revogação das iniciativas de saúde de Obama”, admite. O especialista prevê que, caso Clinton se torne a primeira mulher presidente dos EUA, terá maioria bastante apertada no Senado e será obrigada a confrontar uma maioria republicana na Câmara. Cenário que barraria legislações progressistas, obrigando-a a governar por decreto. “A situação geral será uma continuidade da paralisia governamental dos anos de Obama.”



DEVER DE CASA Ainda no cenário interno, a economia deve exigir medidas impopulares do próximo mandatário. Eric Maskin, professor de economia da Universidade de Harvard e Prêmio Nobel de Economia em 2007, aposta que o principal desafio doméstico do novo ocupante da Casa Branca será fazer algo para melhorar as condições das classes de baixa e de média renda. “O plano de Trump de cortar os impostos para os mais ricos não seria bom para o país. Seu programa econômico é incoerente e perigoso. Ele propõe um grande acordo de gastos adicionais, enquanto, ao mesmo tempo, defende imensos cortes tributários”, afirma, por e-mail.

Ao declarar guerra aos 11,5 milhões de imigrantes ilegais, Trump pode perder votos valiosos dos hispânicos, que devem comparecer às urnas em peso, hoje. De acordo com uma pesquisa do instituto Pew Research Center, os estrangeiros não documentados representam 5% da força de trabalho. Hillary entende que, em vez da política xenofóbica de Trump, os EUA precisam reconhecer os esforços dos imigrantes e a sua contribuição para a economia nacional. Medidas impopulares podem abrir um mal-estar diplomático com o México e aguçar o descontentamento da população de latinos.

A política externa norte-americana promete ser uma área pantanosa, capaz de representar riscos à estabilidade mundial. O tema da reaproximação diplomática com Cuba, uma das principais heranças de Obama, é um dos anacronismos entre republicanos e democratas. Em mais de uma ocasião, Trump sinalizou com o cancelamento do acordo com Havana, ao qual se referiu como “bastante fraco”, e exortou a assinatura de novo pacto. Sob um eventual governo Trump, o Congresso republicano praticamente descartaria o levantamento do embargo econômico à ilha socialista. Ackerman crê que Hillary Clinton apoiará a abertura a Cuba e manterá a intervenção militar no Afeganistão, na Síria e no Oriente Médio. “O comportamento errático de Trump pode gerar confrontos militares com a Rússia e a China, deflagrando uma terrível tragédia nuclear”, adverte.

Durante a campanha política, o Estado Islâmico (EI) alimentou fortes debates. Hillary acusa Trump de “alimentar” os jihadistas com a retórica racista. O republicano adverte que a facção tomará os Estados Unidos, caso a democrata vença, e sugere relegar a guerra na Síria para o segundo plano. “Nós vamos acabar na Terceira Guerra Mundial sobre a Síria, se escutarmos Hillary Clinton”, disse Trump. Ontem, durante discurso em Raleigh (Carolina do Norte), o republicano anunciou que vai cortar “bilhões de dólares” em repasses para as Nações Unidas.


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