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Estado de Minas

Eleições nos EUA será de disputa apertada

Corrida pela Casa Branca chama a atenção do mundo. Pesquisas indicavam pequena vantagem para Hillary Clinton nessa segunda-feira


postado em 08/11/2016 06:00 / atualizado em 08/11/2016 09:59

(foto: Brendan Smialowski Jay LaPrete / AFP )
(foto: Brendan Smialowski Jay LaPrete / AFP )

Miami – A democrata Hillary Clinton, de perfil progressista, ou o republicano Donald Trump, de DNA conservador? Um deles será eleito hoje o 45º presidente dos Estados Unidos, numa disputa marcada mais por escândalos e baixa popularidade dos candidatos do que por propostas que entusiasmassem os eleitores. De qualquer forma, a corrida à Casa Branca ganhou status de histórica e é acompanhada de perto pelo planeta, dada à tese de que a recuperação da economia global passa pelo sucesso da americana.


As últimas pesquisas de intenção de voto mostram a ex-senadora com pequena vantagem, mas especialistas não descartam a possibilidade de o magnata surpreender. O resultado só será revelado mesmo pelas urnas entre 22h e 23h no horário local (entre 1h e 2h de amanhã no horário de Brasília). Um dos motivos é o fato de o voto ser facultativo no país. Por isso, ontem, apoiadores comuns de ambos saíram de porta em porta para convencer os eleitores a irem às urnas.

Ontem, pesquisas apontavam para liderança de Hillary, por aproximadamente 2,7 pontos percentuais na corrida eleitoral, embora a dinâmica dos últimos 10 dias de campanha tenha sido favorável a Trump. Na última enquete realizada pela rede CBS, a vantagem de Hillary era de quatro pontos (45% contra 41%). Um modelo matemático de projeção elaborado pela rede de televisão NBC indica que Hillary Clinton já teria assegurado pelo menos 274 votos no colégio eleitoral, quatro a mais do que os necessários para selar sua vitória.

O site especializado FiveThirtyEight atribui a Hillary Clinton 67,9% de probabilidades de ganhar as eleições, contra 32,1% para Trump. A retomada da democrata, mesmo que por margem pequena, pode ter sido inspirada pela informação do FBI, no domingo, de que não pretendia apresentar acusações formais contra Hillary pelo interminável escândalo provocado por seus e-mails enviados de um servidor privado quando era secretária de Estado. O anúncio foi uma tentativa de apagar o incêndio provocado há apenas uma semana pela mesma instituição, quando revelou que investigaria novas mensagens relacionadas à democrata, que não haviam sido incluídas em uma investigação anterior concluída em julho passado. Os mercados financeiros do mundo, que receberam a reabertura das investigações do FBI com quedas, ontem apresentaram trajetória de alta.

A vantagem, no entanto, não garantiu tranquilidade para a véspera da votação. Famosos também foram à batalha. O presidente Barack Obama, que venceu a democrata na convenção do partido em 2008 e é seu principal cabo eleitoral, pediu apoio a ela em Washington, Michigan e Filadélfia. “Peço a vocês que façam por Hillary o que fizeram por mim”, disse Obama a uma multidão em Ann Arbor, Michigan. Os próprios candidatos tiveram uma segunda-feira agitada, percorrendo estados em que o eleitorado está indeciso.

Hillary Clinton se comprometeu a trabalhar pela união nacional, caso chegue à Casa Branca. “Tenho muito trabalho a fazer para unificar o país. Realmente, quero ser a presidente para todos, para pessoas que votaram em mim e pessoas que votaram contra mim”, afirmou. Em um ato público em Sarasota, na Flórida, Trump disse, por sua vez, que uma vitória sua na eleição será um golpe fatal ao que chamou de “establishment corrupto de Washington”. “Se ganharmos, vamos limpar essa lama”, acrescentou.

A Flórida, inclusive, será um dos estados decisivos no pleito, onde, em Miami, seis em cada 10 moradores são estrangeiros. A disputa por lá está tão acirrada que especialistas evitam arriscar um placar. Aliás, a Flórida é o principal estado pêndulo (swing-state), região em que os eleitores não têm uma preferência clara por determinado candidato.

Uma história contada pela cubana Darlin Gonçales, de 23 anos, deixa clara como anda a disputa no estado: “Na universidade em que estudo, um professor pediu aos alunos da classe que escrevessem o nome de quem levaria seu voto neste ano. Houve empate entre Hillary e Trump”. Os cerca de 1,3 milhão de brasileiros que vivem nos EUA também estão na corda bamba, tendo em vista a nenhum dos dois candidatos ter encantado.

Outros estados também são pêndulos e, ontem, receberam os presidenciáveis. Hillary, à noite,  encerrou a campanha com showmício na Filadélfia, uma das maiores cidades da Pensilvânia, com presença do cantor Bon Jovi e da família Obama. Para entender melhor a importância dos swing-states, é preciso considerar a lógica da eleição americana. A disputa é indireta. Funciona assim: o candidato que obter a confiança da maioria dos eleitores de um estado conquistará todos os delegados daquele estado. O número oscila de três a 55, levando-se em conta o tamanho da população. Vence a disputa quem conquistar ao menos 270 dos 538 delegados.

Tradicionalmente, a maioria dos 50 estados vota no mesmo partido a cada eleição, independentemente de quem seja o candidato. O da Califórnia, o mais populoso e por isso com maior número de delegados (55), costuma apostar nos democratas. Já o Texas, segundo mais populoso (38 delegados), sempre avaliza a legenda republicana. Outros estados, porém, oscilam entre as duas siglas.

CUSTO A sucessão de Barack Obama não é algo barato. Estimativa da ONG Centro de Políticas Responsáveis, que monitora doações eleitorais na terra do Tio Sam, apurou que a campanha de Hillary teria recebido, até o último dia de outubro, em torno de US$ 690 milhões. A de Trump, em igual período, quase US$ 310 milhões. (Com agências)

* O repórter viajou a convite do governo dos EUA


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