Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (15), em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu a denúncia apresentada ontem pelo Ministério Público Federal, atribuindo as graves acusações de corrupção contra ele à vontade das "elites" de acabar com sua vida política.
"Estou falando como um cidadão indignado", declarou Lula, denunciado na véspera pelo procurador Deltan Dallagnol como o "comandante máximo" da gigantesca rede de corrupção da Petrobras.
Em uma resposta eminentemente política, no tom das acusações feitas, o ex-presidente (2003-2010) e potencial candidato às eleições de 2018 buscou uma abordagem emocional ao falar com os eleitores do PT, declarando seu "orgulho de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina".
Lula garantiu ser inocente das acusações e desafiou os promotores a apresentarem provas concretas contra ele.
"Ninguém está acima da lei (...) Quando eu transgredir a lei, me punam para servir de exemplo", falou.
O ex-presidente continuou dizendo que estará à disposição e não perderá seu sono.
"A história mal começou. Alguns pensam que ela terminou. E eu vou viver muito. Estou com 70 anos, com vontade de viver mais 20", acrescentou.
Recebido com gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", ele esteve rodeado por muitos militantes e lideranças do partido durante toda a coletiva.
Lula também considerou que "o ódio" das elites contra suas políticas sociais explica boa parte de seus problemas. Para o ex-presidente, está na hora de "concluir a novela. Vão agora dar o desfecho, acabar com a vida política do Lula".
De acordo com pesquisas recentes, ele aparece como o político mais votado em um eventual primeiro turno, mas, devido a seu índice de rejeição, não conseguiria vencer no segundo.
O presidente do PT, Rui Falcão, pediu que os movimentos sociais resistam à ofensiva da direita e disse ainda que "a solidariedade nacional e internacional é trincheira fundamental no combate ao governo usurpador".
