O governo americano subestima o impacto, em longo prazo, da morte de civis em suas missões militares e não aprendeu com seus erros em sua permanência de 15 anos no Afeganistão - aponta um relatório divulgado nesta quarta-feira.
O informe do grupo de estudos Open Society Foundations afirma que, embora as Forças Armadas americanas tenham-se comprometido com evitar as mortes civis, os óbitos ocorreram em diferentes países, como Afeganistão, Iraque e Síria, devido a ataques aéreos equivocados, a peças que não explodiram, ou por conta de aliados sem escrúpulos.
"Os danos a civis aceleram a insurgência e minam os governos dos Estados Unidos e do Afeganistão", declara o veterano do Exército americano Christopher Kolenda, coautor do informe.
Os ataques aéreos em apoio às forças no terreno representam um dos "principais fatores" que explicam a morte de civis.
No Afeganistão, em 2008, por exemplo, esses ataques foram responsáveis por 64% das 828 mortes de civis nas mãos das forças pró-governo e 26% do total.
Os ataques contra pessoas, ou grupos, que foram vigiados durante um certo tempo e se tornam alvos por algum comportamento avaliado como suspeito, "são particularmente preocupantes", adverte o documento.
O relatório também traz duras críticas aos "sócios predadores", com os quais os Estados Unidos colaboraram no Afeganistão, alegando que conseguiram "operar praticamente com impunidade, devido a sua relação próxima e altamente visível com as Forças Armadas americanas".
No texto, os autores formulam uma série de recomendações. Entre elas, pedem que se trabalhe para aumentar a transparência e as informações sobre os casos, onde há danos civis, e que se faça um acompanhamento dessas situações.
