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Estado de Minas

Oposição venezuelana volta às ruas por referendo contra Maduro


postado em 06/06/2016 12:40

A oposição venezuelana retorna nesta segunda-feira às ruas, já tensas em razão da escassez de alimentos, para exigir um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro, no momento em que as autoridades eleitorais estarão reunidas para definir se o processo avançará.

Sob o lema "A minha assinatura vale", a opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) convocou uma manifestação nesta segunda e terça-feira em frente à sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), em Caracas e outras cidades.

"Essa será a resposta popular ao cinismo dos agentes eleitorais (...), às violações repetidas, ao uso da CNE como bloqueio para adiar as eleições", ressaltou a coalizão em um comunicado.

"Enquanto os diretores do CNE estão trancados em sua reunião, queremos que saibam que lá fora há um país, majoritário, um país que quer mudança e uma mudança pacífica", declarou nesta segunda o porta-voz da MUD, Jesús Torrealba.

A MUD convocou a mobilização após o CNE, a quem acusa de responder ao governo, cancelar na quinta-feira um evento importante, durante o qual informaria se a oposição recolheu um mínimo de 200.000 assinaturas válidas de 1,8 milhões apresentadas para ativar o referendo.

A oposição exige que o CNE defina as datas e procedimentos para dar continuidade à ratificação das assinaturas. Uma vez concluída essa etapa de ativação, a MUD deverá recolher quatro milhões de assinaturas para convocar um referendo.

A oposição quer que o processo se acelere, porque se o referendo for realizado antes de 2017, quando completa quatro anos de mandato do atual governo, e Maduro for derrotado, novas eleições deverão ser convocadas.

Apesar da convocação da mobilização esta semana, as manifestações correm o risco de não acontecer, uma vez que suas marchas anteriores foram bloqueadas pela polícia e em meio aos temores de violência, como aconteceu em 2014 quando 43 pessoas morreram.

Mais ocupados com as dificuldades diárias, os venezuelanos expressam o seu descontentamento com a situação política e econômica em longas filas que fazem para comprar comida subsidiada.

"Eu tenho me calado (e suportado) duas filas para conseguir arroz e açúcar", reclamou Eneuris Cantillo, uma ascensorista de 46 anos em uma fila em Chacao (leste).

Na turística ilha de Margarita, foram registrados no domingo distúrbios em um supermercado.

Marco Ponce, da ONG Observatorio Venezolano de la Conflictividad Social, informou à AFP que nos primeiros quatro meses do ano ocorreram 94 saques e 72 tentativas em supermercados.

O país sofre uma grave crise agravada pela queda do preço do petróleo - responsável por 96% de suas divisas - que tem refletido em uma escassez de 80% dos produtos básicos, e uma inflação de 180,9% em 2015, a mais alta do mundo.


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