As ameaças de morte do Estado Islâmico não foram suficientes para impedir uma estudante de economia de ser coroada a primeira Miss Iraque desde 1972. Segundo reportagem publicada no jornal britânico The Sun, Shayma Qassim Abdelrahman teve que vencer nove concorrentes para levar o título, além de superar pelo menos uma ligação telefônica exigindo que ela se juntasse ao califado ou aguentasse as consequências.

A jovem de 20 anos disse que sua vitória é também uma vitória dos direitos das mulheres e que as ameaças de sequestro não vão detê-la. Em entrevista à rede de TV NBC, ela disse: "Vou seguir em frente, apesar de qualquer obstáculo. Quero provar que a mulher iraquiana tem existência própria na sociedade e que ela tem seus direitos, assim como os homens. Não tenho medo de nada, porque tenho certeza de que o que eu estou fazendo não é errado".
Para os organizadores, trazer de volta a disputa de miss ao país iria "iluminar o lado bonito do Iraque", mas líderes tribais alegaram que o concurso de beleza era anti-islâmico e imoral. Cerca de 200 ameaças de morte foram endereçadas às moças inscritas no concurso, até que restaram apenas 10 concorrentes. Em resposta às críticas dos radicais religiosos, os organizadores tiraram do evento a prova do traje de banho e adiaram a data do concurso, previsto inicialmente para outubro.
Para o diretor da competição, Ahmed Leith, "o Iraque precisava disso". "A situação é frágil aqui e nós queríamos celebrar a beleza, da mesma forma que outros países o fazem, como o Líbano, por exemplo. Para manter um certo senso de normalidade."
Segundo a reportagem da NBC, dois primos da nova Miss Iraque, ambos oficiais da polícia iraquiana, foram assassinados por jihadistas do Estado Islâmico.
