
As autoridades municipais determinaram o fechamento de fábricas e um sistema de trânsito alternativo para os veículos particulares, com o objetivo de limitar a expansão do 'smog', assim como o fechamento das escolas até o início da próxima semana.
Nas avenidas do centro da cidade, geralmente bloqueadas pelos habituais engarrafamentos, o tráfego era bom na manhã de sábado. "Como eu gosto do tráfego alternativo! É possível finalmente dirigir sem problemas na segunda avenida", ironizou um internauta na rede de microblogs Weibo. "Esta cidade ainda é habitável?", questionou outro.
"Se o rodízio é eficaz para controlar a poluição, por quê não implementar de modo permanentemente?", pergunta um internauta. O sistema alternativo, com base no último número da placa - par ou ímpar - impede que metade dos 4,4 milhões de veículos particulares saiam às ruas da capital da China.
No Weibo e no serviço de mensagens WeChat, muitos usuários destacaram o desejo de permanecer em casa todo o fim de semana. Algumas pessoas idosas, no entanto, desafiaram a poluição para executar os tradicionais exercícios em parques e praças da cidade.
A névoa poluente reduzia consideravelmente a visibilidade e escondia parte dos edifícios próximos, sem que a concentração de micropartículas tóxicas tenha alcançado os preocupantes picos registrados nas últimas semanas. A densidade de partículas finas (PM 2,5), muito perigosas para a saúde e que provocam mortes prematuras, superava neste sábado a marca de 200 microgramas por metro cúbico, segundo os níveis de referência medidos pela embaixada dos Estados Unidos.

As autoridades anunciaram o primeiro alerta vermelho em 7 de dezembro, assim como uma série de medidas preventivas, poucos dias depois de uma série de críticas pela inércia ante um episódio de poluição similar no início do mês e níveis superiores a 600 microgramas por metro cúbico.
A situação dos últimos meses levou muitos moradores de Pequim aos hospitais e a comprar milhares de máscaras protetoras, onipresentes nas ruas. Além do descontentamento da população, a contaminação atmosférica provoca muitas mortes prematuras a cada ano na China.
A nuvem de poluição recorrente no norte da China afeta quase 300 milhões de pessoas. Boa parte da culpa é atribuída às dezenas de centrais de carvão, que funcionam em potência máxima no inverno para alimentar os sistemas de calefação e as fábricas.
