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Estado de Minas

EUA: Fed abre histórica reunião para elevar juros após sete anos


postado em 15/12/2015 18:31

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) iniciou nesta terça-feira uma histórica reunião de dois dias que deve decidir pela elevação da taxa de juros, após sete anos em quase zero.

Essa decisão, amplamente insinuada por funcionários do Fed, incluindo sua presidente, Janet Yellen, significa deixar para trás uma excepcional postura anticrise em matéria de política monetária, direcionada para recuperar a economia americana após a crise financeira e a profunda recessão de 2008-2009.

Embora o aumento dos juros não seja garantido, Yellen insinuou a decisão no começo de dezembro.

Desde então os dados econômicos, incluindo a criação de empregos e o gasto no consumo, foram suficientemente fortes para que ela mantivesse essa opinião.

O grupo de política econômica do Fed, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), discutirá nesta terça e quarta-feira se a economia americana está forte o suficiente para o aumento da taxa de juros de fundos federais de 0 a 0,25% para esperados 0,25-0,50%.

Essa taxa básica de juros é uma ferramenta de curto prazo para os créditos interbancários que influencia os juros através de todo o sistema financeiro.

Mais importante ainda, as expectativas sobre seus níveis futuros determina a taxa de juros de longo prazo sobre empréstimos para moradias e veículos, o financiamento para empresas e governos estrangeiros, e os depósitos dos poupadores.

A perspectiva do início da campanha para elevar os juros e reforçar a política monetária americana depois de anos de dólares baratos provocaram turbulências no sistema financeiro mundial, prejudicando especialmente as economias dos mercados emergentes com grande exposição ao dólar, enfraquecendo suas moedas.

Isso ocorre em um momento em que os principais bancos centrais do mundo, incluindo os de China, Japão e zona do euro estão flexibilizando suas políticas monetárias para estimular o crescimento.

- "Calibrando a política" -

No entanto, com um aumento de 0,25 pontos, os juros americanos continuarão sendo extraordinariamente baixas, longe do que o Fed considera um nível "normal".

Yellen destacou que o Fed continua esperando uma recuperação do mercado de trabalho e um freio da inflação, o que significa que os juros continuarão baixos para estimular um maior crescimento.

"O Fed não está tentando freiar uma economia em rápido crescimento nem amortizar uma inflação galopante", disse Sam Stovall, da S&P; Capital IQ. "Um aumento é uma tentativa de recalibrar, não de frear".

A inflação extremamente fraca é uma das principais razões pelas quais os membros do FOMC têm resistido em implementar o aumento dos juros, argumentando que convém esperar até que haja uma recuperação.

Entretanto, Yellen argumentou em um discurso de 2 de dezembro que, se o Fed esperar muito, acabará tendo que "reforçar a política econômica abruptamente".

Com o primeiro aumento dos juros já previsto, a grande dúvida é: o que acontecerá depois?

Yellen disse repetidamente que sair do nível aero será o início de uma série de aumentos cuja rapidez dependerá de como a economia vai reagir: lenta se houver fraqueza e rápida se houver retomada.

Por essas razões, as atenções estão voltadas para declarações do Fed e de Yellen e nos prognósticos sobre suas expectativas de crescimento econômico e nos níveis esperados dos juros para 2016 e 2017.

"Há uma grande diferença entre as expectativas dos mercados financeiros e as expectativas do Comitê do Fed sobre o curso da taxa de juros", disse o Deutsche Bank em nota a seus clientes.

O Deutsche Bank afirmou que os mercados esperam em média apenas dois aumentos no ano que vem, enquanto nas projeções do Fed em setembro foram mencionados quatro aumentos para terminar em quase 1,5%.

Se o Fed ratificar essa postura, o dólar será valorizado, afetando, contudo, o mercado financeiro.


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