(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Padre que foi refém do EI intercede por sírios em fuga


postado em 10/12/2015 17:01

Um padre sírio relatou nesta quinta-feira em Roma os 84 dias que passou em poder do grupo Estado Islâmico (EI), sendo constantemente ameaçado de morte pelos extremistas que exigiam sua conversão.

Jacques Mourad, padre católico sírio de 48 anos, foi sequestrado em 21 de maio juntamente com outro sírio por homens encapuzados no mosteiro de Mar Moussa, ao norte de Damasco, transformado pelo padre Paolo dell'Oglio, desaparecido desde julho de 2013, em local de diálogo entre cristãos e muçulmanos.

De mãos amarradas e olhos vendados, foi trancado com seu colega em um pequeno banheiro.

Incessantemente, seus captores prometiam a morte caso ele não se convertesse ao Islã, contou em coletiva de imprensa.

Mas, para ele, a detenção foi um "momento muito intenso no nível espiritual", graças à oração e ao ensinamento de Charles de Foucault, o eremita francês na Argélia no início do século XX, que "também vítima da violência".

Um dia, um homem vestido de preto, "semelhante aos que vemos nos vídeos em que o EI decapita seus prisioneiros", apareceu na porta. "Eu pensei que aquele seria o momento final de nossas vidas".

Não foi o que aconteceu. "Vocês estão sob minha proteção", assegurou o homem ao padre Mourad, que atribuiu essa leniência à reputação de abertura de Mar Moussa, onde cristãos e muçulmanos eram recebidos e ajudados sem distinção.

No início de agosto, ele foi levado para junto de cerca de 250 cristãos capturados pelo EI durante a tomada de sua paróquia, Al-Qaryatayn.

O chefe do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, sugeriu várias possibilidades: "matar os homens e levar mulheres e crianças, escravidão, resgate ou 'dom da vida'". Ele escolheu a última opção, um tipo de liberdade "condicional" em troca da assinatura de um documento.

Todos assinaram o documento em 1º de setembro e foram levados de volta a Al-Qaryatayn, onde faltava tudo: "água, eletricidade, comida...".

Em 10 de outubro, o padre e os fiéis decidiram deixar a cidade porque "a vida sob a autoridade do EI era impossível para os cristãos". A fuga custou a vida de oito membros deste grupo, que incluía muitas crianças, pessoas idosas ou deficientes.

O padre Mourad deve encontrar o papa Francisco na próxima semana. Em seguida, ele planeja voltar para a Síria.

Antes, ele aproveita os microfones para dizer "aos muçulmanos que combatem" que a sua religião é a "da misericórdia" e para lembrar o Ocidente de suas "responsabilidades para com os sírios que fogem dos bombardeios e assassinatos, e que morrem no mar enquanto fogem".


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)