Mudar os modos de produção e transporte será indispensável para evitar novas catástrofes climáticas, estimou nesta quinta-feira o ex-vice-presidente americano Al Gore, às margens da conferência sobre o clima de Paris (COP21).
"Será que realmente precisamos mudar os nossos sistemas de energia, transportes, agricultura e nossas florestas e mudarmos para um padrão de baixo carbono?" questionou Gore em discurso em Le Bourget, perto de Paris.
"A resposta é 'sim'; a resposta vem da própria natureza", continuou o ambientalista, premiado em 2007 com o Nobel da Paz ao lado do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
"O noticiário, todas as noites, é como uma caminhada em tamanho real pelo livro das revelações" (o último livro do novo testamento da bíblia, mais conhecido como apocalipse de João, ndlr), afirmou, citando a multiplicação dos fenômenos climáticos extremos (furacões, secas, inundações).
A comunidade científica é agora "virtualmente unânime" ao reconhecer o impacto das atividades humanas sobre o clima, cujas evidências são "tão claras como as da gravidade", acrescentou o diretor do documentário "Uma Verdade Inconveniente" sobre as consequências do aquecimento global.
Delegados de 195 países estão reunidos perto de Paris desde segunda-feira para tentar encontrar um acordo que permita limitar o aquecimento global a dois graus acima da era pré-industrial.
"Eu espero que não haja dúvidas e que consigamos resolver a crise climática" nesta ocasião, disse Al Gore, numa coletiva de imprensa no final do dia.
Para ele, os avanços tecnológicos oferecem a esperança de que o mundo acabará por abandonar os combustíveis fósseis - em grande parte responsáveis pela mudança climática.
"O mundo dos negócios, dos investimentos e outros atores criaram tecnologias solares e eólicas que tornam esses recursos extremamente competitivos", ressaltou.
