Como fazer bons negócios quando se é microempresário numa favela e quase não tem dinheiro para investir? Via Facebook, garante a rede social que busca treinar em marketing digital centenas de empresários das favelas do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016.
"Queremos que os pequenos e médio empresários das favelas tirem proveito das Olimpíadas e deixar um legado para que depois possam continuar fazendo bons negócios", explicou à AFP Patrick Hruby, diretor de pequenos e médios negócios do Facebook para a América Latina.
Em parceria com a Universidade Estácio de Sá e a Central Única de Favelas (CUFA) - organização que une moradores das favelas cariocas e promove atividades esportivas, culturais e de lazer -, o Facebook pretende formar centenas de empreendedores no bairro de Madureira (zona norte) e em outras dez comunidades pobres do Rio, para onde levará um laboratório móvel numa "Facekombi".
Dois milhões de pessoas - um terço da população do Rio de Janeiro - vivem em favela, e um estudo do instituto de pesquisa Data Favela divulgado nesta terça-feira apontou que proporcionalmente as favelas estão mais conectadas à internet do que o restante da população.
De 60% da população das favelas do Rio conectada à internet, cerca de 92% tem Facebook, a maioria através do aparelho celular, mostrou o estudo encomendado pelo Facebook ao Data Favela.
Um total de 96 milhões dos 202 milhões de brasileiros estão conectados ao Facebook, segundo os últimos dados da empresa.
Hruby mencionou os exemplos de um restaurante na favela do Vidigal e um hostel na Rocinha que entram em contato com a clientela majoritariamente estrangeira quase exclusivamente via Facebook.
"Queremos que a experiência destas pessoas que já estão usando o Facebook para fazer negócios sozinhas passe para mais pessoas, para que suas empresas cresçam e para que atraiam dinheiro do asfalto às favelas", disse Hruby.
O Facebook na Comunidade foi lançado em 2014 em Heliópolis, uma das maiores favelas de São Paulo, a maior cidade do Brasil (sudeste). Mais de 200 empreendedores da comunidade foram treinados para o uso da rede social e outras ferramentas de marketing digital com o objetivo de fazer crescer seus negócios, além de codificação (encoding).
Um caso de sucesso é o da organizadora e decoradora de festas de aniversário infantis que começou do zero e hoje emprega três pessoa e contrata 18 funcionários temporários. "Ela está com a agenda cheia até o final do ano e parte do ano que vem. Seu negócio cresceu de maneira impressionante", comemorou Hruby.
