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Estado de Minas

Ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo é indiciado na França


postado em 04/11/2015 16:31

O senegalês Lamine Diack, que foi o manda-chuva do atletismo mundial nos últimos quinze anos, foi indiciado pela justiça francesa por corrupção e lavagem de dinheiro, com suspeitas de ter acobertado casos de doping, informou nesta quarta-feira uma fonte judicial.

Diack, de 82 anos, assumiu a presidência da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) em 1999 e deixou o cargo em agosto, dando lugar ao britânico Sebastian Coe, lenda do meio-fundo.

Colocado sob controle judicial, ele responderá ao processo em liberdade.

Seu conselheiro jurídico, o advogado Habib Cissé, de 44 anos, foi indiciado por corrupção passiva.

A justiça francesa também ordenou a detenção em Nice do médico Gabriel Dollé, médico encarregado da luta antidoping da IAAF até o fim do ano passado.

A investigação, que começou em agosto, após uma denúncia da Agência Mundial Antidoping (Wada) à procuradoria encarregada de crimes financeiros, está apenas no começo, e outras pessoas devem ser ouvidas.

Coe ouvido pela polícia

Uma fonte próxima ao caso revelou à AFP que as autoridades investigam casos de doping de "dois ou três atletas russos", mas outros competidores de outras nacionalidades também podem ser envolvidos.

Em entrevista à AFP em agosto, na véspera da eleição do seu sucessor, Diack disse que a IAAF é "líder na luta antidoping".

"Cada vez que foi confrontada a questões dolorosas, a IAAF sempre mostrou determinação e continuamos sendo líderes na luta global contra a trapaça. Apesar das acusações recentes, não tenho nenhuma dúvida sobre a qualidade da luta antidoping da nossa federação", alegou o cartola na época.

Sebastian Coe também foi ouvido, mas falou "livremente, por iniciativa própria, com a polícia", quando a sede da IAAF foi revistada na terça-feira, de acordo com um porta-voz da entidade, que garante que o presidente atual está "cooperando plenamente com a justiça"

Durante os 15 anos de mandato de Diack, o atletismo foi manchado por vários casos de doping.

Seu filho, Pape Massata Diack, que ocupou um cargo na equipe de marketing da IAAF, foi afastado em dezembro de 2014, por suspeitas de envolvimento neste caso de corrupção para acobertar os casos de doping na Rússia.

Valentin Balakhnichev, presidente da federação russa e tesoureiro da IAAF, também precisou deixar o cargo.

O Comitê Internacional Olímpico (COI) anunciou nesta quarta-feira que sua comissão de ética também investigará o caso.

Documentários acusadores

A Rússia está no olho do furacão desde que reportagens do canal alemão ARD apontaram esquemas de doping do país.

Divulgado em dezembro de 2014, o documentário 'doping confidencial, como a Rússia fabrica vencedores' conta com várias testemunhas de peso.

Uma delas é Julia Stepanova, corredora de 800 m, hoje suspensa por doping, e do seu marido, Vitali Stepanov, que trabalhou entre 2008 e 2011 na Rusada, agência russa de luta contra o doping.

Em agosto deste ano, pouco antes do Mundial de Pequim, outro documentário acusava o atletismo russo, alegando que "os atletas estão dopados e os responsáveis pelo esquema sempre protegidos".

A Wada criou em janeiro uma comissão independente de investigação para verificar as acusações da ARD. As primeiras conclusões devem ser divulgadas no dia 17 de novembro.

A emissora alemã também é responsável por outra 'bomba' que abalou o mundo do atletismo.

Numa reportagem realizada com o jornal inglês Sunday Times, o canal trouxe à tona um estudo realizado por pesquisadores australianos, que concluiu que 33% dos 146 medalhistas em mundiais e olimpíadas entre 2001 e 2012, apresentaram têm resultados suspeitos em exame antidoping.


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