Quatro estados da UE, República Tcheca, Hungria, Romênia e Eslováquia, lideram a ruptura do bloco entre o leste e o oeste depois de votarem contra um controverso acordo adotado na terça-feira para dividir 120.000 refugiados.
No último minuto, a Polônia decidiu apoiar o sistema de quotas, embora sua postura possa mudar após as eleições gerais de outubro.
Os subsídios da UE tiveram um papel importante no desenvolvimento das economias destes países ex-comunistas depois de terem se incorporado à União, ao mesmo tempo em que centenas de milhares de seus cidadãos também encontraram emprego e começaram uma nova vida nos ricos vizinhos do oeste da Europa.
Abaixo há algumas razões pelas quais agora se mostram reticentes em aceitar refugiados.
P: Por que os Estados do leste formaram uma frente contra a divisão de 120.000 refugiados por toda a UE?
R: Segundo um estudo recente realizado pelo Instituto de Relações Internacionais da Polônia (PISM), a homogeneidade étnica e religiosa nestes países do leste da UE, predominantemente cristãos, entranharia um certo grau de xenofobia e de medo do desconhecido.
As décadas de isolamento por trás da Cortina de Ferro como satélites soviéticos também reforçariam a desconfiança ante os estrangeiros.
O estudo do PISM revelou que cada vez há uma preocupação maior em relação à suposta "ameaça terrorista" que os migrantes muçulmanos podem representar para a região, que atualmente abriga comunidades muito minoritárias de muçulmanos.
Estes países ainda se veem como os primos pobres que não têm a mesma responsabilidade histórica na crise atual que os membros da UE com um longo passado colonial.
"Todos os países ex-comunistas membros da UE têm dificuldades para aceitar a UE não apenas como motor de uma crescente prosperidade, mas também como uma união para compartilhar solidariedade e responsabilidades", declarou o cientista político austríaco Anton Pelinka à AFP.
P: Por quê a Polônia rompeu com seus vizinhos e votou a favor da solidariedade na UE, apesar de uma oposição feroz?
R: Varsóvia considera que obteve importantes concessões da UE, incluindo a garantia de que aceitar um certo número de refugiados não significa que o sistema de quotas obrigatórias tenha entrado em vigor nem que possa ser aplicado em um futuro sem consultar os membros da UE.
O ministro das Relações Exteriores polonês, Grzegorz Schetyna, disse que Varsóvia manifestou sua solidariedade com a Europa para poder contar no dia de amanhã se o conflito na Ucrânia se agravar e se for registrada uma onda de refugiados em direção à Polônia.
Schetyna acrescentou que levava em conta o fato de que "votar contra (o acordo) teria sentido se tivesse bloqueado a decisão". Dito isso, a eleição não foi fácil: uma fonte europeia afirmou na véspera da votação que "a Polônia odiaria ter que escolher" entre apoiar os países do grupo de Visegrado - contra o sistema de quotas - e a posição europeia.
P: A Polônia manterá seu compromisso após as eleições gerais de outubro?
R: Não está claro. As últimas pesquisas de opinião preveem que o principal partido da oposição, o da Lei e da Justiça (PiS), um partido conservador e eurocético dirigido pelo ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski, vencerá as eleições parlamentares de 25 de outubro. Não é nenhum segredo que o PiS rejeita a posição da primeira-ministra Ewa Kopacz na crise dos refugiados.
"A decisão dos ministros do Interior da UE é um escândalo. Foi feita às custas da segurança e sem o acordo dos poloneses", declarou Beata Szydlo, que pode se converter em primeira-ministra se o PiS vencer as eleições.
