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Estado de Minas

Primeiro processo de pedofilia do Vaticano chega ao fim com morte de ex-núncio

Ex-núncio Josef Wesolowski, processado por abusos sexuais de menores, morreu nesta madrugada


postado em 28/08/2015 09:01 / atualizado em 28/08/2015 09:57

Ex-núncio Josef Wesolowski morreu nesta madrugada (foto: REUTERS/Luis Gomez/Diario Libre)
Ex-núncio Josef Wesolowski morreu nesta madrugada (foto: REUTERS/Luis Gomez/Diario Libre)
O ex-núncio polonês Josef Wesolowski, que seria o primeiro processado no Vaticano por abusos sexuais de menores de idade, morreu na madrugada desta sexta-feira, informaram fontes da Santa Sé. "Esta manhã, o monsenhor Jozef Wesolowski foi encontrado morto em sua residência no Vaticano", anunciou a Santa Sé em um comunicado, que cita causas naturais, apesar de destacar que será realizada uma necropsia.

"Um franciscano do Colégio Penitenciário foi encontrado morto diante da televisão por volta das cinco horas da manhã", confirmou Ciro Bendettini, vice-director da assessoria de imprensa do Vaticano.

O ex-núncio de 67 anos, que atuou na República Dominicana, tinha problemas de saúde não divulgados. Wesolowski foi internado em um hospital em julho, um dia antes do início de seu julgamento. Na ocasião, suspeitou-se de uma tentativa de suicídio, já que fontes não oficiais do hospital romano Gemelli onde foi internado asseguraram à imprensa que ele havia dado entrada depois de ter ingerido uma mistura de medicamentos e álcool. Wesolowski não foi visto em público desde a publicação na imprensa de notícias de que teria mantido relações sexuais com menores de idade em um bairro de Santo Domingo.

A Congregação para a Doutrina da Fé o julgou em junho de 2014. O polonês foi condenado a abandonar o hábito e retornar ao estado laico, a pena máxima para um prelado. Mas o papa Francisco também ordenou um julgamento penal, algo inédito no Vaticano. Wesolowski foi detido e colocado em prisão domiciliar em setembro de 2014 para aguardar o julgamento.

Em dezembro, ele obteve o direito de maior liberdade de movimento dentro do Estado do Vaticano por motivos de saúde. Mas no dia 10 de julho teve que ser internado na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital de Roma em consequência do agravamento de seu estado de saúde. Um dia depois teve início o julgamento por atos de pedofilia em Santo Domingo e por posse de uma grande quantidade de fotografias de conteúdo pedófilo-pornográfico baixadas pela internet na Santa Sé. A audiência durou apenas sete minutos e foi adiada por tempo indeterminado.

Linha dura


Julgado por atos de pedofilia com crianças de idade variando entre 13 e 16 anos e posse de grande quantidade de material pornográfico que ele baixou dos computadores da Santa Sé, o ex-núncio poderia pegar de seis a sete anos de prisão, sem contar com possíveis circunstâncias agravantes.

Segundo o site Vatican Insider do jornal La Stampa, Wesolowski recebeu alta do hospital em 17 de julho e regressou para seu domicílio no palácio da justiça do Vaticano. Desta maneira, o que seria um julgamento simbólico apenas durou sete minutos, o tempo necessário, em 11 de julho, para a leitura das acusações contra ele, a constatação da ausência do acusado e o adiamento da audiência de maneira indefinida.

O processo teria ilustrado a linha de conduta mais dura do Vaticano para enfrentar o escândalo dos abusos de padres pedófilos, principalmente nos anos 1960-1980. As revelações a respeito nos últimos 15 anos desacreditaram profundamente a instituição da Igreja católica.

A Santa Sé anunciou em junho a criação de uma nova instância eclesiástica para punir os bispos culpados de negligência - ou cumplicidade - em relação aos padres pedófilos sob sua autoridade. Além disso, uma comissão de especialistas internacionais auxilia há um ano o papa a encontrar meios para evitar os abusos pedófilos. As associações de vítimas criticam a Igreja, no entanto, por não ir o suficientemente longe e atuar mais energicamente na questão.

Wesolowski chegou como núncio em 2008 à República Dominicana, onde a imprensa local o acusou, em 2013, de ter recorrido a serviços de menores prostitutos. Em agosto daquele ano, foi chamado de urgência pelo Vaticano, que rejeitou o posterior pedido de extradição para a Polônia.

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