O ex-presidente Carlos Menem, de 85 anos, continuará por videoconferência o julgamento por acobertamento na investigação do atentado a um centro judaico na Argentina, que causou 85 mortos em 1994, e no qual é um dos 13 acusados, informou nesta quarta-feira uma fonte judicial.
Na primeira audiência do julgamento pelo desvio de provas que começou na semana passada, depois de 21 anos do pior atentado da história do país, Menem esteve ausente por problemas de saúde.
O advogado de Menem, Omar Daer, havia explicado que seu cliente sofre "um agravamento de sua hipertensão arterial, junto a um quadro de esclerose e artrose por sua idade avançada", que lhe impedem de comparecer às audiências e pediu que fosse autorizado que continuassem por videoconferência. O atestado médico apresentado era ilegível.
O Tribunal Oral Federal N2 autorizou o ex-chefe de Estado a seguir o julgamento por videoconferência no portal Infojus do ministério da Justiça.
O ex-secretário de Inteligência Hugo Anzorreguy, também acusado, esteve ausente na primeira audiência por estar hospitalizado, mas comparecerá na quinta-feira diante do tribunal.
Os 13 réus, entre eles um ex-juiz, dois ex-promotores e um ex-líder da comunidade judaica, são acusados de violação de meios de prova, falsidade ideológica, acobertamento, abuso de autoridade e peculato.
Menem é acusado de ser o mandante do juiz Juan José Galeano - também acusado e que julgou a causa até 2004 - que abandonou a chamada "pista síria", a qual envolvia um cidadão desta origem, cuja família tinha vínculos com a do ex-presidente.
Segundo a promotoria, este cidadão de nome Alberto Kanoore Edul tinha vínculos nunca investigados com o iraniano Moshe Rabbani, ex-encarregado cultural na embaixada de Teerã em Buenos Aires, um dos acusados de ter organizado o atentado.
Este julgamento, que durará pelo menos um ano, só aborda o ocultamento de provas e o desvio da investigação, sem se ocupar com a autoria do atentado contra a Associação Mutual Israelense Argentina (AMIA), com 85 mortos e 300 feridos.
Outro julgamento em 2004 foi anulado com a absolvição de todos os argentinos acusados de prover apoio logístico, ao ser descoberto o pagamento ilegal de 400.000 dólares do juiz a um acusado para envolver um grupo de policiais na causa.
A justiça argentina acusa ex-altos funcionários do Irã de terem organizado o atentado, algo que Teerã nega, portanto, não aceita extraditar os acusados para depor.
