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Estado de Minas

"Não tinha mais o apoio do mundo do futebol", diz Blatter no seu discurso de renúncia


postado em 02/06/2015 16:55

Segue a íntegra do discurso pronunciado nesta terça-feira por Joseph Blatter para anunciar a renúncia ao cargo de presidente da Fifa, em meio ao escândalo de corrupção que abala a entidade e manchou sua reeleição para um quinto mandato, na última sexta-feira.

"Tenho refletido profundamente a respeito da minha presidência e dos últimos quarenta anos da minha vida, que foram inseparavelmente ligados à Fifa e a este esporte maravilhoso que é o futebol. Amo a Fifa mais do que tudo e desejo apenas fazer o melhor para o futebol e para esta instituição.

Resolvi me candidatar à presidência porque estou convencido de que era a melhor opção para a organização. A eleição acabou, mas os desafios que a Fifa tem pela frente continuam. A Fifa precisa de uma profunda reestruturação.

Embora os membros da Fifa tenham me dado mais um mandato, este mandato não conta com o apoio de todo o mundo do futebol, os torcedores, jogadores, clubes e todos que vivem, respiram e amam o futebol, como todos nós, na Fifa.

É por isso que decidi entregar meu mandato num Congresso eletivo extraordinário. Esta decisão terá efeito o mais rápido possível, ou seja, na data em que um novo presidente poderá ser eleito pelo congresso da Fifa para me suceder. Continuarei exercendo minhas funções até a organização dessas eleições.

O próximo congresso ordinário da Fifa acontecerá no dia 13 de maio de 2016, no México, mas esta data só adiaria de forma inútil a entrada em vigor da minha decisão. Por isso vou pedir para que o Comitê Executivo organize quanto antes um congresso extraordinário para a eleição do meu sucessor. Este processo será efetuado de acordo com os estatutos da Fifa, com tempo suficiente para que os melhores candidatos possam fazer campanha.

Como não serei candidato, estou agora livre de qualquer compromisso eleitoral, por isso poderei me concentrar na realização de reformas profundas e ambiciosas que vão transcender os nosso primeiros esforços. Há anos, trabalhamos incansavelmente para fazer reformas administrativas, mas é óbvio que precisam ser continuadas, porque não são suficientes.

O Comitê executivo da Fifa conta com representantes de confederações sobre as quais não temos controle, mas cujas ações são da responsabilidade da Fifa. Precisamos de uma profunda reestruturação.

O tamanho do comitê executivo precisa ser reduzido, e seus membros precisam ser eleitos no congresso da Fifa. As investigações de habilitação às quais os membros do comitê executivo são submetidos precisam ser organizadas de forma central, pela Fifa, e não através das confederações. Precisamos estabelecer um limite para os mandatos, não apenas do presidente, mas de todos os membros do comitê executivo.

Lutei por estas mudanças, e, como todos sabem, meus esforços foram bloqueados. Desta vez, vou conseguir. Mas não posso conseguir sozinho. Pedi a Domico Scala para que supervisione a aplicação destas medidas, entre outras iniciativas. Eleito pelo congresso da Fifa, o senhor Scala é o diretor da nossa comissão de audição e conformidade. Ele também é o presidente da comissão eleitoral, e portanto, vai supervisionar a eleição do meu sucessor. O senho Scala conta com a confiança de muitas pessoas dentro e fora da fifa, e tem a experiência necessária para contribuir para a aplicação dessas importantes reformas.

Meu profundo carinho pela Fifa, e seus interesses, me levaram a tomar esta decisão. Quero agradecer aqueles que sempre me apoiaram de forma construtiva e leal como presidente da Fifa, e fizeram tanto a favor do futebol que amamos tanto. Repito: o que conta mais para mim, é a Fifa e o futebol".


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