O primeiro-ministro conservador britânico, David Cameron, governará por um segundo mandato depois de ter conquistado a maioria absoluta em eleições que confirmaram a força dos nacionalistas escoceses e provocaram a renúncia de três líderes.
Os conservadores alcançaram o marco da metade de deputados mais um e poderão governar sozinhos, diferentemente da legislatura anterior, quando formaram coalizão com os liberais democratas.
"Acredito sinceramente que estamos a caminho de fazer algo especial neste país", disse Cameron em um discurso em frente a Downing Street depois de receber a ordem da rainha de formar um governo.
"Vamos fazer o referendo sobre a União Europeia que prometemos", insistiu, afirmando que quer fazer com que o país "seja um lugar onde a vida boa esteja ao alcance de todos que queiram trabalhar e fazer as coisas bem".
Cameron foi ao palácio de Buckingham para uma audiência com Elizabeth II que durou pouco mais de meia hora.
Os conservadores conquistaram 331 deputados (+24), os trabalhistas 232 (-26), o SNP escocês 56 (+50), os Liberais Democratas 8 (-49), os unionistas norte-irlandeses do DUP 8 (=) e outros partidos os 15 restantes, segundo os resultados definitivos.
- Uma vitória que ninguém previu -
A folgada vitória conservadora não havia sido prevista por nenhuma pesquisa e significa um segundo mandato consecutivo para os conservadores pela primeira vez desde 1990.
Cameron, que agora tem 48 anos, foi em 2010 o primeiro-ministro mais jovem em 200 anos ao acabar com 13 anos de governos trabalhistas sob a era Tony Blair.
Os outros grandes vencedores do dia foram os nacionalistas escoceses do SNP (Partido Nacional Escocês), que conquistaram 56 dos 59 deputados em jogo na Escócia e contribuíram para o fracasso dos trabalhistas de Ed Miliband, que renunciou à liderança do Partido Liberal democrata, o principal partido da oposição.
O país "precisa de um Partido Trabalhista forte. É o momento de outra pessoa assumir a liderança do partido", disse Miliband, declarando que Harriet Harman assumirá a direção até a eleição de um novo líder.
Também renunciaram Nick Clegg, líder do Partido Liberal Democrata, que passou de 56 deputados a 8, e Nigel Farage, o dirigente do antieuropeu Ukip, que não conquistou o assento que ambicionava.
- A atenção se concentra na Escócia e na UE -
"Esta noite ruge um leão na Escócia, um leão escocês", disse um exultante Alex Salmond depois que o SNP conquistou 56 dos 59 deputados em disputa na Escócia.
Salmond retorna ao Parlamento de Westminster após a derrota no referendo de independência, que o levou a renunciar como chefe de governo regional e líder do SNP.
Sua sucessora, Nicola Sturgeon, disse que o governo central "não pode ignorar o que ocorreu na Escócia. As pessoas votaram esmagadoramente a favor de que a voz da Escócia seja ouvida e a favor do fim das medidas de austeridade".
A vitória conservadora e a eclosão nacionalista escocesa, que na legislatura anterior tinha apenas 6 deputados, pode acabar propiciando um referendo sobre o pertencimento à União Europeia e outro sobre a independência da Escócia.
A derrota no primeiro referendo de independência acabou sendo positiva para o SNP, que quadruplicou seus militantes e fez desaparecerem do mapa os trabalhistas, outrora uma força política dominante na Escócia.
A bolsa de Londres comemorou a vitória conservadora com um avanço de 1,61% de seu principal índice, combinado com um aumento da libra nos mercados internacionais de divisas.
"O fim da incerteza e a manutenção de algo que se assemelha ao status quo se traduzirão por um aumento no curto prazo" nos mercados britânicos, estimou a Barclays.
