Duzentas e dezenove jovens "embaixadoras" de Chibok lideraram nesta quarta-feira uma passeata em Abuja, na Nigéria, vestidas de vermelho e carregando no pescoço o nome da cada estudante ainda desaparecida um ano após seu sequestro pelos islamitas do Boko Haram.
"Faz 365 dias e continuamos a gritar alto e forte, estamos mais fortes do que nunca", afirmou Rebecca Ishaku, uma das embaixadoras de Chibok, como são chamadas.
Em 14 de abril de 2014, no início da noite, 276 adolescentes com idades entre 12 e 17 anos foram sequestradas em seus dormitórios de sua escola na cidade de Chibok, no estado de Borno, por homens armados e levadas em caminhões para floresta de Sambisa, um dos redutos do Boko Haram, perto da fronteira com o Camarões.
Cinquenta e sete delas conseguiram escapar de seus captores nas horas e dias que se seguiram, mas 219 meninas ainda estão desaparecidas.
O líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, reivindicou a responsabilidade pelo sequestro em um vídeo obtido pela AFP em 5 de maio, ameaçando casar as meninas à força e tratá-las como escravas.
"Nunca deixaremos de gritar pela libertação das nossas irmãs", declarou Rebecca pelas ruas de Abuja, acompanhada de outras embaixadoras de Chibok.
A passeata começou em frente ao chafariz da Unidade, no centro de Abuja, local de encontro dos membros da campanha #Bringbackourgirls ("Tragam de volta nossas filhas"), que se reúnem quase diariamente desde maio do ano passado.
#Bringbackourgirls, nasceu nas redes sociais no dia seguinte ao sequestro e rodou o mundo, obtendo o apoio sem precedentes de personalidades tais como a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, do papa Francisco e da paquistanesa Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai.
E mesmo quando a tempestade midiática passou, os membros da campanha continuaram a exigir a libertação das estudantes Chibok junto às autoridades de Abuja, acusadas de demorar muito para agir.
As forças de ordem tentaram em várias ocasiões desmobilizá-los desta praça em frente ao Hotel Transcorp Hilton, centro nevrálgico da capital, palco de todas as grandes cúpulas e reuniões importantes.
Direito a uma educação segura
Todas vestidas com camisas vermelhas, as embaixadoras de Chibok, com entre 7 e 17 anos, entoaram nesta terça em coro o slogan da campanha: "Bring back our girls now and alive" (Tragam de volta nossas filhas, agora e vivas) avançando em direção ao ministério da Educação.
Após permanecerem por um instante em frente às grades do ministério, as jovens finalmente foram recebidas.
"Pedimos ao governo que faça do acesso seguro à educação uma prioridade em toda Nigéria, e que faça do resgate de nossas irmãs uma prioridade", insistiu Rebecca.
Algumas dessas jovens de Chibok desabaram em lágrimas no momento da leitura de sua mensagem às autoridades do ministério da Educação.
Enquanto a passeata prosseguia nas ruas da capital, outras manifestações ocorriam em várias grandes cidades do mundo inteiro em apoio às reféns nigerianas.
Cerca de quarenta pessoas se reuniram no Champs de Mars, em Paris, com uma faixa "Bring back our girls now" e balões vermelhos.
"Aconteceu há um ano, aconteceu distante de nós (...) mas como permanecer indiferentes ante tanta violência e desumanidade", exclamou Capucine Nielly, uma francesa que organizou o protesto.
Em Nova York, o célebre Empire State Building deverá ganhar uma luz vermelha e violeta em solidariedade e para simbolizar a luta contra a violência contra as mulheres.
Em Lagos, capital econômica da Nigéria, uma vigília deve acontecer a partir das 17h no principal cruzamento da cidade, onde os nomes das vítimas foram exibidos e uma cerimônia reuniu, durante o dia, várias personalidades nigerianas.
"Devemos todos nos dar as mãos (...) e garantir que uma tal barbaridade contra a Humanidade não volte a acontecer nunca mais", declarou Wole Soyinka, primeiro Nobel africano de Literatura.
