Um ataque de suicidas talibãs vestidos com uniformes militares nesta quinta-feira em um complexo judicial no norte do Afeganistão deixou ao menos 10 mortos e 65 feridos, em uma ação que demonstra a frágil segurança do país.
As forças de segurança afegãs conseguiram colocar fim ao ataque ao entardecer, após seis horas de confrontos, indicaram fontes oficiais.
"Cinco policiais e cinco civis morreram, e outras 66 pessoas ficaram feridas", anunciou Abdul Raziq Qaderi, chefe da polícia da província de Balj, da qual Mazar-i-Sharif é a capital.
O ataque ocorreu pouco antes dos talibãs iniciarem sua tradicional ofensiva de primavera. Ela irá ocorrer num momento em que as forças de segurança afegãs combatem os insurgentes sem um apoio completo da Otan.
Os criminosos lançaram granadas e trocaram tiros com as forças de segurança afegãs, ateando fogo em um dos edifícios do complexo, presenciou um jornalista da AFP.
"Nossas primeiras informações dizem que homens armados entraram no Tribunal provincial de Apelação de Mazar-i-Sharif hoje" (quinta-feira), disse à AFP Abdul Raziq Qaderi.
"Policiais, promotores, funcionários do tribunal, mulheres e crianças estavam entre os feridos", afirmou à AFP Noor Mohamad Faiz, médico do hospital.
O ataque ocorreu um dia após um soldado americano ser abatido por um militar afegão no leste do país, o primeiro ataque desde que Washington anunciou um atraso na retirada de suas tropas deste país.
Os talibãs reivindicaram o ataque desta quinta-feira, que evidencia a precária situação da segurança no país, no momento em que as tropas estrangeiras, lideradas pelos Estados Unidos, abandonam o Afeganistão após 13 anos de guerra.
"Nossos mujahedines mártires executaram um ataque na cidade de Mazar-i-Sharif", disse à AFP o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Muyahid, por telefone.
Aumento dos ataques
A missão de combate da Otan acabou formalmente em dezembro, mas uma reduzida força de acompanhamento permaneceu no país para apoiar as forças de segurança locais.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recuou no mês passado da ideia de reduzir à metade o número de tropas americanas no Afeganistão, em resposta a um pedido do novo presidente afegão, Ashraf Ghani.
Ao receber Ghani na Casa Branca durante seu primeiro encontro cara a cara, Obama aceitou manter o atual nível de 9.800 soldados americanos até o fim de 2015.
Os talibãs, que realizaram uma sangrenta insurgência desde que foram expulsos do poder, no fim de 2001, alertaram que o anúncio afetaria qualquer perspectiva de diálogo de paz e avisaram que seguirão lutando.
Os insurgentes talibãs intensificaram os ataques suicidas contra alvos do governo desde o início, há dois meses, de uma ofensiva na província de Helmand (sul).
O número de civis mortos e feridos no Afeganistão aumentou 22% em 2014 na comparação com o ano anterior, segundo a ONU, ao mesmo tempo em que as tropas da Otan abandonam o combate.
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão atribuiu o aumento a uma intensificação dos combates terrestres, que mataram 10.548 civis ano passado.
