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Estado de Minas

Netanyahu e Herzog disputam ombro a ombro, segundo sondagens em Israel


postado em 17/03/2015 21:52

O primeiro-ministro conservador israelense, Benjamin Netanyahu, declarou-se vencedor das eleições legislativas desta terça-feira, que pesquisas de boca de urna o colocam ombro a ombro com seu adversário, Isaac Herzog.

A emissora de TV pública Canal 1 e o privado Canal 10 deram ao conservador Likud 27 cadeiras no Parlamento, 120 assentos e número igual para a opositora União Sionista.

Mas, segundo analistas, Netanyahu partiu com vantagem, levando-se em conta a aparente distribuição de cadeiras, para compor uma nova coalizão que lhe permitiria se tornar novamente chefe de governo, o que estenderia os seis anos em que já ocupa o poder.

Uma coalizão de partidos árabes teria o terceiro lugar, com 12 a 13 cadeiras, segundo as consultas, ou seja, o melhor resultado desses quatro partidos na história de Israel.

"Contra todos os prognósticos, uma grande vitória para o Likud. Uma grande vitória para o povo de Israel", escreveu Netanyahu em sua conta no Twitter.

Herzog declarou, por sua vez, que os resultados lhe permitem ser primeiro-ministro. "Tudo está em aberto", disse o líder da União Sionista a simpatizantes reunidos em Tel Aviv.

Pelo menos 5,88 milhões de eleitores foram convocados a votar em mais de dez mil seções espalhadas por escolas, hospitais e outros pontos em todo o país. Os locais de votação abriram às 5h GMT (2h de Brasília) e fecharam às 20h GMT (17h).

Devido à fragmentação habitual da cena política israelense, os eleitores já podiam ter uma ideia da configuração de sua 20ª Knesset, mas podem levar semanas até conhecer o novo chefe de governo.

Netanyahu, de 65 anos, primeiro-ministro desde março de 2009, fez uma campanha progressivamente para a direita para recuperar terreno até o ponto de anunciar que não aprovaria o projeto de um Estado palestino se voltar ao poder.

"Está claro que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, formará o próximo governo e, por isso, dizemos claramente que vamos ao tribunal de Haia (Tribunal Penal Internacional, TPI)", declarou à AFP o negociador-chefe palestino, Saeb Erakat.

"Todos ouvimos as declarações de Netanyahu contra um Estado palestino e a favor da continuidade da colonização: agora cabe à comunidade internacional assumir a iniciativa da Palestina ao TPI e adesões a mais organizações internacionais", acrescentou.

Mobilização dos árabes

Foi o próprio Netanyahu que precipitou essas eleições antecipadas, convocadas dois anos antes do previsto. No fim de 2014, ele rompeu a coalizão governamental, acreditando estar em posição de força perante seus adversários, em particular Herzog.

Herzog, de 54 anos, e sua aliada, a ex-ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni basearam sua campanha nos temas econômicos e sociais. Herzog pode se tornar o primeiro chefe de governo trabalhista em 14 anos.

Das 25 listas em competição, 11 superariam, segundo os prognósticos, o mínimo necessário para chegar à divisão de cadeiras.

No sistema político e eleitoral israelense, o presidente não é obrigado a convocar o líder do partido mais votado para formar o novo governo.

Em frente a uma escola no bairro Beit Hakerem, de Jerusalém, vários eleitores manifestaram à AFP a diversidade de suas preocupações.

Heitnar Chaim, um judeu de 50 anos, usando quipá, votou nos ultraortodoxos porque "nestes últimos anos os 'haredim' (judeus ortodoxos) foram maltratados" e, "enquanto médico que deve tratá-los, (está) bem colocado para ver que a pobreza aumentou".

Yacobi Gideon, de 60 anos, votou na Kulanu, lista do centrista Moshe Kahlon, ex-membro do Likud a quem quase todos veem como chave de uma futura coalizão.

"Com a esquerda e a direita, não muda nada. Então, votei em Kahlon, que é o único em quem confio para mudar as coisas no âmbito econômico", diz Gideon.

Descendentes dos palestinos que permaneceram em suas terras com a criação do Estado de Israel, em 1948, os árabes-israelenses se mobilizaram em massa, com o objetivo de se livrar de Netanyahu.

"É a primeira vez que vejo tanta gente", comentou Ehab Hamam, de 37 anos, em frente a uma seção eleitoral da cidade de Haifa, onde vivem árabes e judeus, no momento em que 50 pessoas esperavam para votar.

"Votar é dizer à direita que estamos aqui", concluiu.


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