Os palestinos anunciaram nesta quarta-feira sua intenção de aderir ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para acusar os dirigentes israelenses de "crimes de guerra", endurecendo sua oposição ao Estado de Israel após o fracasso de sua ofensiva diplomática na ONU.
Os palestinos queriam que o Conselho de Segurança adotasse uma resolução que estabelecia o prazo de um ano para chegar a um acordo final de paz com Israel e a retirada dos territórios palestinos ocupados desde 1967. A iniciativa, contudo, foi rejeitada na terça-feira.
Com a adesão ao TPI, o presidente palestino, Mahmud Abas, pretende executar uma antiga ameaça, que lhe permitiria denunciar as autoridades israelenses a Haia por crimes de guerra, incluindo o genocídio.
O acesso à justiça internacional seria, sobretudo, pelas ofensivas na Faixa de Gaza, e enfrenta a forte oposição de Israel e dos Estados Unidos.
"Decepcionados"
No Conselho de Segurança da ONU, a resolução recebeu oito votos a favor, dois contra e cinco abstenções (dos nove necessários para ser adotada), motivo pelo qual os Estados Unidos não precisaram lançar mão de seu direito a veto.
O veto, que Mahmud Abbas pretendia capitalizar depois do fracasso das negociações conduzidas pelos Estados Unidos, não foi necessário depois que a Nigéria, que segundo os palestinos havia prometido apoiar sua causa, se absteve de votar.
"Estamos decepcionados pela abstenção da Nigéria. Outros países como França e Luxemburgo mantiveram suas promessas", disse o porta-voz da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Ashraf Khatib.
Após a votação, na qual Argentina, Chade, Chile, China, França, Jordânia, Luxemburgo e Rússia votaram a favor, Moscou disse que o Conselho de Segurança cometeu um "erro estratégico".
Por outro lado, Washington, que votou contra junto com a Austrália, afirmou que o conflito só pode ser resolvido por uma negociação entre as partes e afirmou que a resolução fomentava "divisões".
"Esta resolução encoraja as divisões, não um compromisso", declarou a embaixadora dos Estados Unidos ante a ONU, Samantha Power. "Este texto retoma as preocupações de apenas uma parte", acrescentou.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, comemorou a posição adotada pela Nigéria, e afirmou que "seu amigo", o presidente Goodluck Jonathan, havia lhe prometido que não apoiaria a resolução.
Hamas denuncia "fracasso"
Para o grupo islamista Hamas, que desde o início se opôs à iniciativa, Abbas sofreu um "fracasso". O grupo afirmou que a decisão do presidente prejudicava "o processo de tomada de decisão palestino".
Para a dirigente da OLP Hanane Ashraui, o resultado da votação foi "escandalosamente vergonhoso", razão pela qual a partir de agora convocou a "proteger a Palestina e dar a ela meios para forçar Israel a se responsabilizar".
Perseguir os israelenses em instâncias internacionais "é o próximo passo, que é inevitável, após a falta abismal de vontade por parte de alguns" e do "conluio com Israel por parte de outros", disse.
Vários funcionários de alto escalão disseram à AFP que Mahmud Abbas assinaria nesta quarta-feira o Estatuto de Roma, que rege o TPI. Este anúncio pode ser formalizado até o fim do dia, após uma reunião da liderança palestina.
O ingresso no TPI, entretanto, não garante que os objetivos dos palestinos serão atingidos, já que a corte internacional decide, após uma investigação preliminar, se iniciará o processo. Além disso, os israelenses ressaltaram que essa ferramenta pode se voltar contra os palestinos, que podem ter que responder por ações cometidas no conflito.
