
"O estado de exceção é decretado em todo o país. O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas é o responsável pela execução do presente decreto, que entra em vigor a partir de hoje", diz o texto, sem timbre oficial, sem data e que leva a assinatura de Blaise Compaoré diferente da habitual.
A autenticidade também é questionável em um comunicado e em uma declaração também atribuídos ao serviço de comunicação da Presidência, relativos a uma dissolução do governo e a uma convocação de negociações com a oposição. Ambos os documentos têm apenas algumas linhas e estão sem assinatura.
Burkina Faso viveu um dia de distúrbios que começaram com saques e o incêndio da Assembleia Nacional, onde deveria ser realizada a votação de uma emenda constitucional para estender os poderes do chefe de Estado, que está 27 anos à frente do governo.
Milhares de manifestantes também invadiram e saquearam a sede da televisão estatal e destruíram a sede do partido no poder em Uagadugu, além de outros símbolos do regime. Pelo menos uma pessoa morreu. A violência se espalhou para Bobo Dioulasso (oeste), capital econômica do país, e para Ouahigouya (norte).
Para o regime no poder desde 1987, esta é a pior crise desde uma onda de motins em penitenciárias registrada em 2011, que abalou o governo. Burkina mergulhou na crise em 21 de outubro, com o anúncio de uma proposta de emenda constitucional elevando para três o número máximo de mandatos presidenciais, que em Burkina Faso duram cinco anos.
No posto há 27 anos, o presidente Compaoré deveria deixar a Presidência no próximo ano, depois de dois setenatos (1992-2005) e dois quinquenatos (2005-2015).
Manifestação e Invasão
Manifestantes invadiram o Parlamento de Burkina Faso nesta quinta-feira, arrastando móveis e computadores para a rua e ateando fogo à câmara principal do edifício, no que foi o maior ato de desafio da população ao governo do país. O objetivo do protesto era impedir uma votação que permitiria ao presidente Blaise Compaore a concorrer ao quinto mandato consecutivo. Ele está há 27 anos no comando do país.
As manifestações estão em andamento na capital do país, com pessoas invadindo outros prédios da capital e causando incêndios. Os escritórios da rede nacional de televisão também foram saqueados e a transmissão saiu do ar. Em uma tentativa de restaurar a calma, militares se reuniram com o líder da maior etnia do país, os Mossi, e cancelaram a votação no Parlamento.
A mudança na Constituição permitiria a Compaore, que chegou ao cargo máximo de Burkina Faso em um golpe em 1987, ser reeleito mais uma vez tinha grandes chances de aprovação no Parlamento, o que gerou a insatisfação popular.
